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O presidente dos EUA reitera que o estreito “estará aberto a todos” assim que for fechado um acordo de paz com Teerã
MADRID, 28 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou “destruir” Omã em relação às negociações em andamento com o Irã sobre um mecanismo para o controle da navegação no estreito de Ormuz, que ambos os países compartilham, em meio às negociações entre Washington e Teerã para um acordo que ponha fim à guerra:
“Omã se comportará como todos os outros ou teremos que destruí-los”, afirmou Trump em uma coletiva de imprensa na Casa Branca. “Eles entendem isso. Eles ficarão bem”, assinalou, horas depois de Teerã confirmar a existência de contatos com Mascate para negociar esse mecanismo.
Assim, o inquilino da Casa Branca insistiu que, uma vez que haja um acordo com o Irã, “o estreito (de Ormuz) estará aberto para todos”. “São águas internacionais, ninguém vai controlá-las. Vamos monitorá-las, mas ninguém vai controlá-las”, acrescentou o presidente, sem que Omã — um aliado de Washington e mediador regional fundamental — tenha reagido até o momento a essas declarações.
O vice-diretor de Política Externa e Segurança Internacional da Secretaria do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Alí Baqeri, afirmou na quarta-feira que Teerã e Mascate “estão negociando conjuntamente um novo procedimento para a passagem de navios pelo estreito de Ormuz”, depois que o Irã indicou em várias ocasiões que ambos os países devem estar à frente dessas regulamentações.
“As condições e os procedimentos para atravessar o Estreito de Ormuz serão completamente diferentes das condições anteriores ao início do conflito com o Irã”, afirmou, referindo-se à situação decorrente da ofensiva lançada de surpresa em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o país asiático, o que levou Teerã a impor restrições nessa rota estratégica.
A ofensiva foi lançada em meio a um processo de negociações indiretas entre o Irã e os Estados Unidos, mediado justamente por Omã — que também desempenhou papel de mediação no Iêmen —, para tentar alcançar um novo acordo nuclear, depois que Washington se retirou unilateralmente em 2018, durante o primeiro mandato de Trump na Casa Branca, do pacto histórico assinado em 2015.
O Irã criou recentemente um órgão para gerenciar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, a chamada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA, na sigla em inglês), que publicou na semana passada um mapa com os limites de sua “jurisdição” na zona, um dos principais pontos de estrangulamento do comércio internacional. Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira sua primeira série de sanções contra esse órgão.
Os Estados Unidos e o Irã estão imersos em um processo de diálogo, desta vez mediado pelo Paquistão, embora as diferenças nas posições tenham impedido, até agora, a realização de uma segunda reunião em Islamabad, que sediou um primeiro encontro cara a cara após o acordo de cessar-fogo firmado em 8 de abril, prorrogado desde então sem prazo determinado por Trump.
No entanto, os últimos ataques dos Estados Unidos contra o sul do Irã, incluindo um nas últimas horas, tensionaram a trégua e levaram o Irã a responder atacando uma base americana. O Kuwait indicou nas últimas horas que seus sistemas de defesa antiaérea responderam ao lançamento de drones e mísseis, sem mais detalhes por enquanto.
Da mesma forma, o bloqueio do Estreito de Ormuz e o recente assalto e apreensão de navios iranianos na zona por parte das forças americanas têm sido um dos motivos invocados por Teerã para não comparecer a Islamabad, uma vez que considera que essas ações constituem uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo.
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