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MADRID 20 jul. (EUROPA PRESS) -
Um tribunal federal dos Estados Unidos condenou nesta segunda-feira o traficante de drogas Ismael 'El Mayo Zambada', ex-líder do Cartel de Sinaloa, à prisão perpétua após se declarar culpado no ano passado por acusações relacionadas ao tráfico de drogas e ao crime organizado, como parte de um acordo para evitar a pena de morte.
“Ismael Zambada García passou quase quatro décadas envenenando comunidades americanas para obter bilhões de dólares em lucros e ordenando o assassinato de qualquer um que se colocasse em seu caminho. Hoje, esse capítulo se encerra de forma definitiva”, declarou o promotor do Distrito Leste de Nova York, Joseph Nocella.
Essa sentença, assegurou ele, foi possível “graças à incansável cooperação bilateral entre as forças de segurança dos Estados Unidos e do México”. “Esperamos que a sentença de hoje traga um pouco de justiça às inúmeras vítimas do tráfico de drogas e da violência do Cartel de Sinaloa”, disse ele, segundo um comunicado divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
O juiz federal Brian Cogan leu a sentença em uma audiência realizada nesta segunda-feira no tribunal federal do Brooklyn, o mesmo tribunal em que Joaquín ‘El Chapo’ Guzmán — seu antecessor à frente do Cartel de Sinaloa — foi condenado à prisão perpétua por acusações de tráfico de drogas.
Zambada admitiu as acusações de liderar uma organização criminosa por atividades realizadas entre janeiro de 1989 e janeiro de 2024, bem como de participar de conspirações para lavagem de dinheiro, homicídio e tráfico de drogas, e por violações das leis estaduais relativas a homicídio e sequestro, por fatos ocorridos entre 1º de janeiro de 2000 e 11 de abril de 2012.
O ex-líder do Cartel de Sinaloa enfrentava acusações formais em seis jurisdições federais diferentes nos Estados Unidos, embora, em virtude do acordo de confissão de culpa, tenha consentido na transferência do caso para o Tribunal Distrital do Leste de Nova York.
Zambada foi detido em 25 de julho de 2024 em um aeroporto de Santa Teresa, Novo México, próximo a El Paso, após chegar em um avião particular com Joaquín Guzmán López, filho do chefão Joaquín 'El Chapo' Guzmán, que tinha um acordo com as autoridades dos Estados Unidos e foi quem o entregou.
O narcotraficante afirmou, em uma carta em agosto de 2025, que foi “sequestrado” por Guzmán, que o entregou contra sua vontade aos Estados Unidos. O suposto sequestro teria começado quando ele foi levado, sob falso pretexto, a um encontro em um rancho nos arredores da cidade de Culiacán, onde supostamente iria resolver divergências entre políticos locais.
Depois de ser recebido pessoalmente pelo filho de “El Chapo”, ele explicou que o levaram para um “quarto escuro”, onde foi imediatamente “emboscado” por um grupo de homens que lhe colocaram um capuz na cabeça após espancá-lo e o colocaram algemado no avião, onde, acompanhado por Joaquín Guzmán, acabou sendo entregue às autoridades americanas em El Paso (Texas).
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou recentemente que a “suposta participação” de Washington na prisão de “El Mayo Zambada” gerou conflitos dentro do Cartel de Sinaloa, com traições e divisões internas, que provocaram ondas de violência no país latino-americano. O Ministério Público mexicano investiga como essa traição foi arquitetada.
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