Jorge Gil - Europa Press - Arquivo
VALÈNCIA 23 out. (EUROPA PRESS) -
O tribunal de Catarroja que investiga a gestão da dana ditou nesta quinta-feira uma diligência de ordem em que cita para declarar como testemunha no próximo dia 3 de novembro, às 9h30, a jornalista Maribel Vilaplana, que comeu em um restaurante com o 'presidente' da Generalitat, Carlos Mazón, em 29 de outubro.
É o que diz uma ordem judicial, consultada pela Europa Press, na qual o advogado da Administração da Justiça estabelece essa convocação em cumprimento à decisão da Segunda Seção do Tribunal Provincial de Valência, que ordenou ao juiz de instrução que tomasse o depoimento da jornalista como testemunha.
Com essa decisão, a Audiência acatou parcialmente em uma ordem o recurso apresentado por um promotor particular e reverteu a decisão tomada pelo juiz de instrução de rejeitar a declaração do jornalista.
A esse respeito, a Corte considera, 'a priori', que não se pode descartar que o jornalista tenha ouvido o que o 'presidente' disse ao se comunicar por telefone com o ex-ministro da Justiça e do Interior Salomé Pradas, que está sendo investigado no caso juntamente com seu ex-número dois, Emilio Argüeso, ou os comentários que Mazón poderia ter feito como resultado dessas conversas.
"E seria possível que a testemunha, estando na companhia da pessoa que contatou Pradas em várias ocasiões e que, como autoridade máxima da Generalitat, tem funções gerenciais e de coordenação, poderia ter ouvido conversas ou comentários que poderiam lançar alguma luz sobre como a reunião do Cecopi estava progredindo, quais informações estavam sendo tratadas por aqueles que participaram dela e por que foi agido da maneira que foi feito", sustenta a Audiência.
Além desses argumentos, a Corte levou em consideração, para resolver o recurso, a carta que a própria jornalista fez circular pela mídia após a decisão do juiz recorrido pela promotoria, e que foi juntada ao processo por meio de uma ordem datada de 11 de setembro de 2025, na qual o juiz de instrução negou novamente o testemunho.
A Corte conclui que é precipitado descartar a possibilidade de que a jornalista, "em um tribunal, com os requisitos e características de um procedimento processual, possa oferecer elementos de interesse aos quais não se referiu na carta que publicou".
"Não se pode descartar que, interrogada nas condições e com as garantias do processo penal, ela possa oferecer detalhes ou nuances que poderiam ser de interesse para a investigação. Seu testemunho, além disso, poderia oferecer informações que somente ela, o presidente da Generalitat e seus interlocutores poderiam saber", afirma a ordem de apelação.
OUTRAS DECLARAÇÕES
O tribunal também convocou um operador de comunicações e emergência da SGISE para depor como testemunha em 12 de janeiro; um operador do 112 em 16 de janeiro; outro operador de comunicações e emergência da SGISE em 20 de janeiro; e outro operador da CPIF em 22 de janeiro. Todos eles estão agendados para se encontrarem em Catarroja às 9h30.
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