Publicado 28/04/2026 02:41

O Tribunal de Contas apresenta hoje ao Congresso seu último relatório sobre as fundações dos partidos em 2021 e 2022

A fundação do PP foi a que recebeu mais subsídios, a de Abascal obteve mais contribuições privadas e a do PSOE continua endividada

Archivo - Arquivo - A presidente do Tribunal de Contas, Enriqueta Chicano Jávega
Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo

MADRID, 28 abr. (EUROPA PRESS) -

A presidente do Tribunal de Contas, Enriqueta Chicano, apresentará nesta terça-feira no Congresso o último relatório sobre as fundações ligadas a partidos políticos, no qual se explica como foram distribuídos os 12,87 milhões de euros administrados por essas entidades nos anos de 2021 e 2022.

No referido relatório, divulgado pela Europa Press, destaca-se que a Fundação Concordia y Libertad, do PP, foi a que recebeu mais subsídios públicos e que a Disenso, do Vox, presidida por Santiago Abascal, obteve o maior montante de contribuições privadas (quase todas provenientes do partido), enquanto a Fundação Pablo Iglesias, do PSOE, figurava novamente no “vermelho”.

Especificamente, as fundações políticas receberam 4,93 milhões de euros em subsídios públicos, 2,39 milhões em 2021 e outros 2,53 milhões em 2022. Destaca-se a Fundação Concordia y Libertad, que nestes dois anos obteve quase dois milhões de euros por esta via (1.976.009,64 euros). A FAES de José María Aznar já não aparece nesta tabela porque se desvinculou do PP e preferiu funcionar de forma independente.

RELAÇÕES EXTERIORES E CULTURA, AS QUE MAIS CONTRIBUEM

As principais subvenções foram distribuídas pelos ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, e o Tribunal aproveita para lembrar ao Governo a conveniência de exigir que as entidades candidatas a esses auxílios estejam devidamente inscritas no registro do Ministério do Interior.

Além disso, as fundações receberam 7,93 milhões em doações privadas e contribuições de suas respectivas formações políticas, e quem lidera é a Fundação Disenso, de Santiago Abascal, que arrecadou mais de cinco milhões: 2,5 milhões em 2021 e outros 2,59 milhões em 2022, em sua maioria transferências do Vox.

Esse nível de contribuições do partido e os depoimentos de ex-dirigentes do Vox sobre suposto desvio de fundos, como nas Ilhas Baleares, levaram o PSOE a solicitar uma auditoria especial à fundação de Abascal e até mesmo a apresentar uma denúncia ao Ministério Público Anticorrupção, que acabou arquivando o caso.

No relatório do auditor também se destacam os números da Fundação Sabino Arana, do PNV, que nesses dois anos obteve 1,42 milhão, repartido entre contribuições e subsídios públicos.

SETE FUNDAÇÕES NO “VERMELHO”

Por outro lado, o Tribunal conclui que há sete fundações auditadas com patrimônio líquido negativo no fechamento de 2022, destacando-se pela sua importância quantitativa a Fundação Pablo Iglesias do PSOE, com um “déficit” de 2,25 milhões de euros, apesar de ter recebido 1,38 milhão em contribuições e subvenções nos dois anos auditados

Também aparece a Fundação Eduardo Obregón, do PRC de Miguel Angel Revilla, neste caso com um “déficit” de 26.899 euros, e a Sociedade Fundação Elkartu, do Eusko Alkartasuna, que está em processo de dissolução com um saldo negativo de 709.162 euros.

Em geral, as fundações e entidades ligadas a partidos são aprovadas na auditoria do Tribunal de Contas, embora tenham sido constatadas algumas irregularidades quanto a doações depositadas em contas bancárias comuns, por não existirem contas abertas exclusivamente para esse fim, ou pagamentos em dinheiro decorrentes de acordos de colaboração não notificados ao órgão fiscalizador.

Por isso, o Tribunal recomenda estabelecer um valor mínimo para que as fundações e entidades ligadas aos partidos políticos procedam à notificação obrigatória das doações que recebem de pessoas jurídicas.

FUNDAÇÕES PRÓXIMAS DA IU NÃO APRESENTAM CONTAS

Por outro lado, o relatório aponta que menos de vinte entidades apresentaram suas contas dentro do prazo. Além disso, o tribunal destaca três fundações por não apresentarem suas contas anuais, apesar de serem obrigadas a fazê-lo, o que constitui uma violação legal: Por uma Europa dos Cidadãos, que agora se chama Fundação de Estudos Críticos (FEC) e está ligada à Izquierda Unida; o Instituto de Estudos Políticos, também próximo da IU na Comunidade Valenciana; e a fundação Horacio Fernández Inguanzo, do Partido Comunista Asturiano.

Além disso, observou-se que doze e onze fundações e associações permaneceram inativas nos anos de 2021 e 2022, respectivamente, estando algumas delas em processo de dissolução ou extinção. Diante dessa situação, o Tribunal solicita aos conselhos de administração dessas fundações que avancem para a dissolução e adverte que elas não podem permanecer como meras detentoras de bens imóveis ou para obter recursos dos partidos dos quais dependem.

Outro dado apontado pelo órgão fiscalizador é que apenas cerca de quinze fundações estão devidamente registradas no Ministério do Interior, apesar de isso ser exigido por lei, pelo que insta o Governo a atualizar seu registro.

De acordo com a lei, as fundações políticas também devem apresentar uma auditoria de suas contas anuais, mas mais de uma dezena delas descumpre essa obrigação; por isso, o Tribunal de Contas propõe que seja estabelecido um limite mínimo de receita para cumprir essa exigência legal. Todas as auditorias apresentadas são positivas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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