Alejandro Martínez Vélez - Europa Press
MADRID, 5 jun. (EUROPA PRESS) -
O ministro da Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, considera “estranha” a afirmação da Unidade Central Operativa (UCO) de que “el one”, mencionado nas conversas interceptadas no “caso Leire”, poderia ser o presidente do Governo, Pedro Sánchez. “Isso não passa de conjecturas”, afirmou o também líder do PSOE das Canárias, que defendeu ainda a “discrição” nas investigações judiciais, num momento em que “tudo é espetáculo” e “tudo parece ser a judicialização da política”.
Em entrevista à “La Radio Canaria”, divulgada pela Europa Press, Torres destacou que a UCO não é “um órgão de caráter judicial”, mas investiga sob ordem da justiça e, em seguida, encaminha os relatórios ao juiz “para que ele faça o que tiver de fazer”. “A afirmação em si é estranha, porque não se enquadra nas competências de cada um”, sublinhou.
Por outro lado, o ministro lamentou que “ninguém saiba quem é” ‘M. Rajoy’, apesar de o ex-presidente do Governo ter declarado no julgamento do caso ‘Kitchen’ que não está sendo tratado na mídia, segundo afirmou, mas que se conhece a identidade de ‘el one’. “Isso me chama a atenção”, acrescentou, para depois defender que se deixe de lado as “conjecturas”, pois a justiça é “um assunto muito sério”.
Nesse contexto, ele defendeu a diretora-geral da Guarda Civil, Mercedes González, após ela reconhecer suas conversas com a ex-militante do PSOE Leire Díez, apoiando sua “honestidade e integridade”, em linha com o que foi afirmado publicamente pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
“Estamos em meio a investigações. O que se deve fazer é apoiar que essas investigações cheguem até o fim, que sejam concluídas, mas não devemos pré-julgar nem condenar antes”, ressaltou Torres, que insistiu em defender a presunção de inocência.
EXPLICAÇÕES DE SÁNCHEZ
Questionado sobre o pedido de explicações dos parceiros ao presidente do Governo devido aos novos desdobramentos judiciais nos casos de corrupção que afetam o PSOE, Torres afirmou que o Executivo está oferecendo “muitas comparecimentos” e que o próprio Sánchez falará no Congresso dos Deputados.
Dito isso, ele criticou o PP por estar “permanentemente” exigindo eleições gerais, lembrando que Mariano Rajoy, após a condenação do caso “Gurtel” por financiamento ilegal, não antecipou as eleições, nem o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, as solicitou na época em que presidia a Xunta. “Realizamos muitas audiências, o que acontece é que há uma vontade, sobretudo por parte do principal partido da oposição, de chegar à Moncloa a qualquer custo”, criticou.
Sobre a atuação do Governo caso a Audiencia Nacional tome medidas cautelares mais graves após o depoimento do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero no “caso Plus Ultra”, o ministro da Política Territorial pediu que se evitem questões “condicionais”, pois a justiça “é algo muito sério”. “Os responsáveis políticos são intimados na qualidade de investigados para esclarecer questões específicas e confio que o senhor Zapatero irá demonstrar sua inocência”, enfatizou.
Assim, lamentou que, a partir do Congresso, a oposição ao Governo profira “sentenças”, o que é “contrário à separação de poderes”, e lembrou que se disse que ele próprio estava sendo investigado, o que considera “absolutamente falso”. “Portanto, presunção de inocência, separação de poderes e firmeza quando se constata que há irregularidades ou que alguém está à margem da lei”, esclareceu Torres, defendendo também a postura do PSOE diante da corrupção, enquanto o PP “destrui computadores com marteladas”.
QUEIXAS NO 'CASO LEIRE'
Questionado sobre o motivo pelo qual Ferraz não apresenta queixa no 'caso Leire', Torres precisou que o partido, diante de “algumas informações”, está “analisando com os serviços jurídicos a apresentação de uma queixa específica” e agirá quando os advogados do PSOE considerarem que isso deve ser feito.
Por outro lado, Torres reclamou que as investigações judiciais sejam conduzidas com “discrição”, lamentando que “tudo seja um espetáculo”. “Estamos falando de sigilo de inquérito, investigações rigorosas, tentar chegar à verdade; estamos vendo tudo ser televisionado, tudo ser levado às emissoras de rádio, tudo parece próprio de um espetáculo”, observou.
“O que não podemos fazer é judicializar a política nem politizar a justiça, e acredito que estamos em um momento em que praticamente tudo é judicialização”, acrescentou.
SUPERDOMINGO ELEITORAL?
Sobre um hipotético “superdomingo eleitoral”, em que coincidam eleições gerais, municipais e regionais, Torres afirmou que a data das eleições é de competência da Presidência do Governo, mas que a intenção do Executivo é “concluir o mandato para o qual foi eleito”.
Por fim, ele destacou que o Governo apresentará o orçamento de 2027 e, a partir daí, os demais grupos políticos deverão “manifestar-se”, lembrando que também estão em discussão o financiamento autônomo e a redução da dívida.
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