Publicado 19/03/2026 09:34

Torres estima em cerca de 1.800 o número de menores desacompanhados transferidos para a Península em sete meses

O ministro Ángel Víctor Torres, em Melilha, onde presidiu nesta quinta-feira uma reunião de coordenação com delegados do Governo
DELEGACIÓN DEL GOBIERNO EN MELILLA

MELILLA 19 mar. (EUROPA PRESS) -

O ministro da Política Territorial e da Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, afirmou nesta quinta-feira que cerca de 1.800 menores estrangeiros desacompanhados foram transferidos para a Península desde 1º de setembro de 2025 até o momento, no âmbito do novo sistema de realocação promovido pelo Governo.

Durante uma visita a Melilla, onde presidiu a uma reunião de coordenação com delegados do Governo de diferentes territórios, o ministro explicou que, nestes sete meses, houve um “salto quantitativo” em relação aos anos anteriores. “Em 2022, eram transferidos cerca de 300 menores por ano e nem mesmo essa meta era cumprida. Agora falamos de entre 1.700 e 1.800 em sete meses”, destacou.

Torres situou esses dados no contexto do primeiro aniversário da publicação no Boletim Oficial do Estado da alteração do artigo 35 da Lei de Estrangeiros, uma reforma que qualificou como “um marco histórico”, ao responder a uma reivindicação sustentada durante décadas por territórios como as Canárias, Ceuta e Melilla, bem como por comunidades como a Andaluzia e as Ilhas Baleares.

O ministro defendeu que a norma, “aprovada com o voto favorável de todos os grupos, exceto o PP e o Vox”, permitiu “aliviar a pressão sobre os territórios fronteiriços” e “melhorar as condições de acolhimento” dos menores. Nesse sentido, ele garantiu que atualmente entre 1.500 e 1.600 jovens estão distribuídos pelo resto do país “sem problemas de convivência” e em processos de integração educacional e social.

Da mesma forma, rejeitou a tese do “efeito chamada” e argumentou que os fluxos migratórios respondem a fatores estruturais como a pobreza, a violência ou a instabilidade política nos países de origem. “Quem pensa que alguém arrisca a vida em uma embarcação precária por prazer desconhece a realidade”, afirmou.

“SITUAÇÕES DE SUPERLOTAÇÃO”

Em sua intervenção, Torres advertiu o PP de que uma eventual revogação da reforma representaria um retrocesso significativo. “Se essa lei for revogada, milhares de menores voltariam a ficar nas Canárias, Ceuta e Melilha em situações de superlotação”, assinalou.

O ministro também defendeu o papel do Executivo presidido por Pedro Sánchez na gestão da política migratória, destacando a dotação de recursos econômicos — estimada em 100 milhões de euros — e a coordenação entre as comunidades autônomas.

Em relação às críticas sobre possíveis falhas no acolhimento em algumas regiões, ele indicou que “a tutela dos menores cabe às comunidades receptoras, que são responsáveis por sua escolarização e assistência”, embora tenha assegurado que “o Governo verificará qualquer incidente denunciado”.

A reunião realizada em Melilha contou com a participação dos delegados do Governo das Canárias, de Ceuta e da própria cidade autônoma, e insere-se na estratégia do Executivo para dar resposta à pressão migratória nos territórios mais afetados.

O ministro da Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, concluiu reiterando a necessidade de manter e reforçar o atual sistema de realocação: “É uma questão de justiça, solidariedade e cumprimento do direito internacional”, indicou, para afirmar que “o sistema de realocação de crianças e adolescentes migrantes desacompanhados será mantido durante o restante da legislatura”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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