Alberto Ortega - Europa Press - Arquivo
SANTA CRUZ DE TENERIFE 23 abr. (EUROPA PRESS) -
O ministro da Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, afirmou nesta quinta-feira que os acordos de governo firmados entre o PP e o Vox na Extremadura e em Aragão demonstram que o encaminhamento de menores migrantes ficará “na gaveta” se não houver “governos progressistas” à frente da Espanha.
Em entrevista concedida ao programa “Buenos Días Canarias” da Televisión Canaria e divulgada pela Europa Press, ele precisou que “a página 10” do acordo de governabilidade em Aragão “diz expressamente que não vão receber mais nenhum migrante, nem menores — isso está deixado bem claro —, nem mesmo adultos”.
Por isso, alertou que a modificação da lei de estrangeiros “só tem viabilidade” com governos de “partidos progressistas”, já que o PP “sucumbiu ao Vox”, lembrando que os deputados das Canárias já “votaram contra” o encaminhamento no Congresso.
“E já vimos que, se o PP governar — e estamos vendo isso na Extremadura, em Aragão, na Espanha —, caso isso ocorra, os menores e os adultos que chegam às Canárias, aos territórios fronteiriços, ficariam nesses territórios”, indicou.
Segundo Torres, “isso significa dezenas de milhares de pessoas amontoadas em uma situação absolutamente deplorável, contrária aos direitos humanos, algo que não é digno de nenhuma sociedade”.
Nessa linha, ele comentou que, se a imigração “é a grande questão” desta legislatura, reconhecida pelo próprio presidente das Canárias, Fernando Clavijo, e o encaminhamento de menores “é um marco”, a “grande ameaça” é que isso não possa ser levado a cabo. “Que os canários e as canárias analisem bem isso e tirem suas conclusões”, acrescentou.
Sobre o processo de regularização de migrantes, ele avaliou que foi realizado um “trabalho importante” pelo Governo central por meio de diversos ministérios e com a implantação de redes telemáticas “que está sendo um sucesso”, pois há “muitas dezenas de milhares de pessoas que já regularizaram sua situação”.
Ele destacou que essa medida é tomada seguindo as recomendações do Conselho de Estado, um “órgão imparcial” onde há representantes jurídicos de diferentes formações políticas, além de que há “antecedentes”.
REPROVA AO PP O “USO PARTIDÁRIO”
O ministro admitiu que o “uso partidário” que o PP faz da regularização o “entristece”, considerando que, nos anos de 2000 e 2001, o governo de José María Aznar “regularizou meio milhão de imigrantes em situação irregular”, e que o atual presidente do PP, Alberto Núñez Feijóo, era presidente dos Correios.
Nesse sentido, indicou que as agências dos Correios “são fundamentais” para esse processo administrativo, ao mesmo tempo em que comentou que “todos, menos o PP e o Vox”, são a favor da regularização porque são necessários “entre 200.000 e 300.000 migrantes por ano para manter o estado de bem-estar de um país que é a locomotiva econômica da Europa”, entre eles o Conselho Económico Social, a Igreja e as associações patronais.
“Não fazemos nada que não tenha sido feito com outros governos, inclusive governos socialistas, e damos uma resposta justa a uma realidade do nosso país. Não há efeito de atração”, precisou, uma vez que o processo afeta pessoas que já estavam na Espanha antes do final de 2025 e já estavam no país há vários meses.
Torres criticou a “mentira” e a “boato” da direita e da extrema direita e enfatizou que se trata de uma medida “muito importante”, especialmente para as Canárias, pois “muitas pessoas finalmente ficarão tranquilas porque estarão regularizadas e com toda a documentação em dia, podendo trabalhar de forma digna”.
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