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MADRID, 5 jul. (EUROPA PRESS) -
Desde a segunda posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a taxa de mortalidade nos centros de detenção de imigrantes dos Estados Unidos atingiu o nível mais alto em quase duas décadas, superando os números da pandemia da COVID-19, segundo um relatório intitulado “Morrendo em detenção: o aumento das mortes em um sistema de detenção de imigrantes em expansão nos Estados Unidos”.
O relatório, elaborado pela Human Rights Watch (HRW) e pela Physicians for Human Rights (PHR), aponta que ocorreram 52 mortes sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e que as detenções realizadas por esse órgão aumentaram 77% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
Segundo o relatório, 10 das vítimas fatais entre 20 de janeiro de 2025 e 4 de junho de 2026 eram de nacionalidade mexicana, o número mais alto entre as 20 nacionalidades registradas. Se somarmos as mortes ocorridas em operações, o número de mexicanos falecidos nesse mesmo período seria de 15, cifra que subiria para 16 após a inclusão da morte, ocorrida no último dia 19 de junho, de outro cidadão desse país sob custódia do ICE.
Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o número de mortes anuais triplicou, representando um aumento de 138% na taxa de mortalidade anualizada. A taxa atual, de 8,4 mortes para cada 10.000 pessoas detidas, quase duplica o pico atingido durante o primeiro ano da pandemia, que foi de 4,4 para cada 10.000.
O documento alerta para o aumento sem precedentes das detenções e destaca o desmantelamento dos mecanismos de supervisão dentro do Departamento de Segurança Nacional. Ele também reflete falhas no sistema de prestação de atendimento médico externo aos detidos e condições de superlotação que agravam a assistência médica já de si deficiente nos centros de detenção.
A maioria das 39 mortes analisadas em profundidade ocorreu em instalações que, nas duas semanas anteriores ao falecimento, registravam populações muito superiores à sua média histórica.
Entre os casos documentados pela HRW e pela PHR está o de Ismael Ayala-Uribe, mexicano de 39 anos que vivia nos Estados Unidos desde os quatro anos de idade e que faleceu em 22 de setembro de 2025 no Centro de Processamento de Adelanto, na Califórnia, depois que, apesar de suas queixas sobre um abcesso infectado, a equipe do centro não o encaminhou imediatamente a um hospital.
Outro caso é o de Lorenzo Antonio Batrez Vargas, também mexicano, que chegou aos Estados Unidos aos quatro anos de idade e faleceu em agosto de 2025, aos 32 anos, após permanecer quase duas semanas em isolamento por ter contraído COVID-19. Sua mãe relatou à HRW que desconhece as causas exatas da morte do filho.
Atualmente, o ICE mantém mais de 60.000 pessoas detidas e há planos para aumentar a capacidade de detenção para 90.000 pessoas antes do final de 2026. Somente em 2026, 18 pessoas faleceram em centros de detenção do ICE.
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