Publicado 11/06/2025 10:54

Supremo Tribunal Federal encerra interrogatórios do "núcleo crucial" do plano de golpe conciliatório de Bolsonaro

HANDOUT - 10 de junho de 2025, Brasil, Brasília: Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, senta-se em frente ao Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria Geral da República acusa os réus de planejar um golpe de Estado contra o governo de seu sucessor Lula
Gustavo Moreno/Supreme Court of / DPA

MADRID 11 jun. (EUROPA PRESS) -

O Supremo Tribunal Federal do Brasil concluiu na terça-feira os interrogatórios do "núcleo crucial" da suposta conspiração do golpe de 2022 sem novos desenvolvimentos nas alegações dos oito réus, mas com a surpreendente postura de um contido ex-presidente Jair Bolsonaro, muito distante das tiradas e bravatas que costumava dedicar ao tribunal e ao instrutor do caso, o juiz Alexandre de Moraes.

Todos os acusados de fazer parte da principal camarilha golpista negaram os fatos, embora tenham admitido ter participado das reuniões em que a trama teria sido organizada, embora tenham minimizado o escopo dos assuntos abordados nessas reuniões.

Alguns deles também focaram suas defesas em desacreditar a versão do Coronel Mauro Cid, que está presente em vários dos processos abertos de Bolsonaro e que agora, depois de ter sido um de seus mais próximos colaboradores, está colaborando com a justiça em troca de benefícios em sua sentença.

Os juízes da Suprema Corte enfatizaram que esses dois dias de interrogatórios transcorreram "sem novidades", embora a estratégia de defesa de Bolsonaro tenha sido surpreendente, pois ele está manobrando para minimizar os danos diante da próxima fase do julgamento, programada para começar em agosto, já que o tribunal entra em recesso em julho.

O ex-presidente brasileiro sugeriu horas antes de comparecer ao tribunal que continuaria com suas críticas ao sistema eleitoral, o principal alvo de suas campanhas de difamação antes, durante e depois das eleições que o colocaram contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro de 2022.

Bolsonaro, que chamou de "loucos" aqueles que defendem a intervenção militar, optou por um tom diferente em seu discurso de três horas, parecendo conciliador e disposto a pedir desculpas a De Moraes, a quem chegou a propor em tom descontraído ser seu vice-presidente para as eleições de 2026, para as quais está desqualificado.

A imprensa brasileira relata que os aliados de Bolsonaro reconheceram que o peso das evidências dificulta a obtenção de uma absolvição, pela qual eles têm feito campanha durante todos esses meses com manifestações em massa nas ruas, e que o objetivo de sua defesa agora é preparar o terreno para um pedido de prisão domiciliar, daí a mudança de tom em relação ao tribunal superior brasileiro.

Após o comparecimento dos oito acusados, o juiz De Moraes deu um prazo de cinco dias para que a acusação e a defesa apresentassem novos procedimentos, que podem não ser aceitos pela Suprema Corte, e depois um período de quinze dias para que cada uma das partes apresentasse seus argumentos finais.

Essas serão as últimas intervenções da acusação e da defesa antes de o caso ser levado a julgamento perante a Primeira Câmara do Supremo Tribunal Federal, que decidirá, previsivelmente nos próximos meses, o futuro de Bolsonaro e seus associados.

Vale lembrar que todos eles são acusados dos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, golpe de Estado e dano ao patrimônio, que culminaram na tentativa dos seguidores de Bolsonaro de assumir as instituições em 8 de outubro de 2023, em Brasília.

Bolsonaro pode pegar até 40 anos de prisão na pior das hipóteses. A promotoria o considera o líder de um complô para mantê-lo no poder após as eleições de 2022, no qual cerca de 30 pessoas estão supostamente envolvidas em diferentes graus.

Esse chamado "núcleo crucial" é composto pelo já mencionado Cid, pelos ex-ministros Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto, Augusto Heleno Riberio e Anderson Torres, todos generais do exército, exceto o último, pelo ex-chefe de inteligência Alexandre Ramagem e pelo ex-comandante da Marinha Almir Garnier.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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