Europa Press/Contacto/Jose Lucena, Jose Lucena
MADRID 25 fev. (EUROPA PRESS) - O Supremo Tribunal Federal do Brasil condenou nesta quarta-feira a 76 anos de prisão os irmãos Domingos e João Francisco Brazão — conhecido como “Chiquinho” — por planejar e ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, em 2018, no Rio de Janeiro.
Eles foram declarados culpados por unanimidade de duplo homicídio, tentativa de homicídio e organização criminosa, crimes com motivação política, pois Franco havia denunciado sua participação em uma trama de exploração e especulação urbanística orquestrada pelas milícias do Rio de Janeiro.
Na época dos fatos, Domingos Brazão era conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, enquanto “Chiquinho” era deputado federal, até que seu mandato foi revogado há um ano. Ambos terão que pagar uma indenização de 7 milhões de reais (1,1 milhão de euros) às famílias. O juiz Alexandre de Moraes enfatizou durante a leitura de seu voto que a motivação política do crime “se combinou com misoginia, racismo e discriminação”, já que a vereadora era uma mulher negra e de origem humilde que havia desafiado os interesses desses grupos armados.
“Eu me pergunto, senhoras e senhores, quantas outras 'Marielles' o Brasil permitirá que sejam assassinadas antes que a ideia de justiça ressuscite neste país de tantas injustiças”, questionou, por sua vez, a juíza Cármen Lúcia Antunes durante a leitura de seu voto.
Os juízes apenas discordaram nas acusações que a Promotoria apresentou contra outro dos réus, o ex-diretor-geral da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, que acabou sendo absolvido de homicídio qualificado e condenado a 18 anos por obstrução da justiça e corrupção.
Os outros dois envolvidos, os ex-policiais Ronald Paulo Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca, foram condenados a 56 anos por duplo homicídio e tentativa de homicídio e nove anos por organização criminosa.
Antes deles, em 2024, foram condenados os responsáveis materiais pelo crime, os ex-policiais Ronnie Lessa, autor dos disparos e condenado a mais de 78 anos de prisão, e Élcio Queiroz, motorista do veículo de onde os disparos foram efetuados e condenado a cerca de 60 anos de prisão.
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