Europa Press/Contacto/Jose Lucena, Jose Lucena
MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) - O Supremo Tribunal Federal do Brasil começou nesta terça-feira a julgar os cinco acusados de participar em 2018 do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, como parte de uma trama de exploração e especulação imobiliária orquestrada pelas milícias armadas do Rio de Janeiro.
Os cinco são os supostos responsáveis intelectuais de um crime cujos autores materiais já foram condenados em 2024. Trata-se dos irmãos Domingos e João Francisco Brazão — mais conhecido como “Chiquinho” —, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro e deputado até um ano atrás, respectivamente.
Junto com eles, estão acusados de planejar a morte de Franco, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, o ex-policial Ronald de Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão.
Todos foram acusados de homicídio pelas mortes de Franco e Gomes e por tentativa de homicídio da assessora da vereadora Fernanda Chaves. Os irmãos Brazão somam uma acusação por organização criminosa. O caso está sendo julgado no Supremo porque 'Chiquinho' Brazão gozava de imunidade parlamentar por seu status de deputado, cujo mandato foi retirado pelo Congresso há menos de um ano.
Durante a leitura do veredicto, o juiz do Supremo Alexandre de Moraes disse que o assassinato de Franco tinha como objetivo “eliminar a oposição política e dissuadir outros de imitá-la”. Ela era o “maior símbolo” de resistência aos interesses econômicos particulares dos Brazão, destacou.
Todos eles foram denunciados pelo autor material dos tiros que tiraram a vida de Franco e Gomes, o ex-policial Ronnie Lessa, condenado a mais de 78 anos de prisão. O motorista do veículo de onde foram disparados os tiros, Élcio Queiroz, foi condenado a cerca de 60 anos de prisão.
As famílias das vítimas exigiram uma pena exemplar para os acusados. Para a irmã da vereadora, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, a possível condenação é também uma “resposta” à democracia, na qual “fica como exemplo que nenhum crime pode ficar impune”, informa o portal de notícias G1.
Anielle Franco também destacou que o caso conseguiu avançar após o “retorno da democracia em 2022”, em alusão à vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e depois que seu antecessor, Jair Bolsonaro, minimizou o ocorrido em mais de uma ocasião.
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