Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agencia / DPA - Arquivo
MADRID 8 set. (EUROPA PRESS) -
A Suprema Corte Federal do Brasil decidiu nesta terça-feira suspender preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa, por terem elaborado pelo menos seis relatórios confidenciais sobre um de seus juízes.
A medida, adotada pelo juiz do Supremo André Mendonça, é resultado de uma investigação aberta por suposto acompanhamento ilícito e irregular. De acordo com a decisão, os relatórios compilavam e monitoravam as ações e decisões do próprio juiz Mendonça e do procurador-geral do Estado, Jorge Messias.
Mendonça explicou que os documentos não possuíam timbre oficial, assinatura ou numeração. Além de afastar temporariamente Rodrigues e Da Costa, o juiz também determinou a abertura de processos disciplinares e criminais na Corregedoria da Polícia Federal e proibiu a elaboração desse tipo de relatório sobre membros do Poder Judiciário e da Procuradoria do Estado.
O caso Vorcaro, cuja figura-chave é o ex-presidente do já extinto Banco Master, Daniel Vorcaro — investigado por suposta prática de fraude e falsidade documentária —, é o principal gatilho da crise. A instrução está a cargo do juiz Mendonça.
Durante a investigação, foram encontradas mensagens no celular de Vorcaro nas quais o ex-proprietário do Banco Máster pedia proteção ao juiz Alexandre de Moraes e também mencionava “Andrei” — identificado pela própria Polícia Federal como Rodrigues —, solicitando que as investigações contra ele fossem interrompidas.
As trocas de mensagens vieram à tona após o juiz Mendonça ter suspendido o sigilo do inquérito. A situação se agravou quando o juiz Alexandre de Moraes ordenou a inclusão no processo judicial de seis “relatórios de inteligência” elaborados em sigilo pela Polícia Federal ao longo do mês de agosto.
Nesses documentos, a Inteligência policial especulava sobre a atuação coordenada de Mendonça e Messias nas investigações ligadas a Vorcaro, defendendo a hipótese de que o procurador-geral evitava recorrer das decisões do magistrado para preservar a relação entre ambos, que atribuíam a uma “matriz religiosa comum” — argumento que o corpo policial utilizou para justificar a coleta direcionada de informações sobre o juiz responsável pelo inquérito.
Vorcaro está sendo investigado por seu papel como presidente do Banco Master, já liquidado devido a um esquema fraudulento que deixou um rombo financeiro de 12 bilhões de reais (1,696 bilhão de euros) e 1,6 milhão de pessoas afetadas.
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