Publicado 14/07/2026 08:27

A Suprema Corte suspende por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente por violação das medidas cautelares

A decisão significa que o pré-candidato não poderá se encontrar com seu pai até depois do primeiro turno das eleições

Archivo - Arquivo - 16 de março de 2025, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil: Rio de Janeiro (RJ), 16/03/2025 – protesto contra Bolsonaro/Copacabana/anistia/STF: protesto contra Bolsonaro realizado na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), neste
Europa Press/Contacto/Saulo Angelo - Arquivo

MADRID, 14 jul. (EUROPA PRESS) -

O juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas do pré-candidato Flávio Bolsonaro a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — que está em prisão domiciliar —, por ter lido, no último fim de semana, uma carta em seu nome nas redes sociais, infringindo assim uma das medidas cautelares impostas em troca do cumprimento da pena por golpe de Estado em sua residência.

Em meio à disputa dentro do clã Bolsonaro, protagonizada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo filho mais velho do ex-presidente, Flávio, no fim de semana, este leu nas redes sociais uma carta em nome de seu pai, na qual o denomina “pré-candidato” e instava a deixar “de lado as diferenças” de vista às eleições de outubro.

No entanto, para De Moraes, juiz responsável pelo inquérito contra Bolsonaro por golpe de Estado, esse episódio viola a proibição que ele impôs ao ex-presidente brasileiro de utilizar as redes sociais diretamente ou por meio de terceiros.

“A declaração de seu filho Flávio Bolsonaro (...) sugere que o condenado estava plenamente ciente de que sua carta seria divulgada nas redes sociais, o que também constituiria uma violação da medida cautelar à qual está sujeito”, explicou o juiz, que concedeu 48 horas à defesa para apresentar alegações.

Além disso, De Moraes destacou que, no vídeo, são utilizadas “expressões com carga semântica equivalente a um pedido explícito de voto, o que pode constituir propaganda eleitoral antecipada em um período proibido pela legislação”, razão pela qual o caso deve ser investigado pelas autoridades eleitorais.

Caso as alegações não sejam aceitas, Flávio, que ainda é pré-candidato do Partido Liberal (PL), não poderia se reunir com seu pai até meados de outubro, poucos dias antes de um eventual segundo turno dessas eleições gerais, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aspira a renovar seu mandato.

FLÁVIO ATACA DE MORAES E PROMETE HONRAR SEU PAI

A reação de Flávio à decisão do juiz não se fez esperar e, pouco depois, ele voltou às redes sociais para acusá-lo de tentar interferir no processo eleitoral e isolar politicamente seu pai, que será, segundo ele, quem lhe entregará a faixa presidencial na cerimônia de posse, em janeiro de 2027.

“Lembrem-se das minhas palavras. Vocês vão testemunhar essa cena. Em nome de Jesus, vocês vão testemunhar essa cena”, previu o pré-candidato, que assumiu como compromisso “resgatar o Brasil” e “honrar o presidente Bolsonaro e todos os perseguidos de 8 de janeiro”, em alusão aos golpistas detidos.

Vale lembrar que, historicamente, quem entrega a faixa presidencial ao presidente eleito é aquele que o antecede. Uma tradição que o próprio Bolsonaro quebrou em 2023 ao viajar para os Estados Unidos dias antes da posse de Lula.

O ex-líder do Brasil cumpre, por motivos humanitários, sua pena de 27 anos de prisão por crimes de golpe de Estado em sua residência na capital, Brasília. Ao longo de todo o processo judicial, houve várias ocasiões em que ele tentou contornar as medidas cautelares, não apenas utilizando redes sociais por meio de terceiros, mas também chegando a quebrar sua tornozeleira eletrônica.

Recentemente, a descoberta de uma pistola em seu nome, que estava em posse de um de seus guarda-costas durante uma blitz rodoviária de rotina, colocou em risco o benefício penitenciário que lhe foi concedido temporariamente até que sua saúde melhore.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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