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MADRID, 29 abr. (EUROPA PRESS) -
A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou nesta quarta-feira o mapa eleitoral do estado da Louisiana que garantia o voto da comunidade negra meses antes das eleições de meio de mandato, ou “midterms”, marcadas para o início de novembro.
A controvérsia gira em torno da seção 2 da chamada Lei dos Direitos de Voto de 1965, promulgada para corrigir séculos de exclusão nos Estados Unidos e garantir o direito ao voto das comunidades afro-americanas no país.
Em fevereiro de 2022, a legislatura do estado da Louisiana, de maioria republicana, aprovou um mapa com apenas um distrito de maioria negra entre os seis existentes, apesar de um censo realizado anos antes ter determinado que quase um terço da população era negra.
O caso acabou em uma disputa judicial e uma juíza determinou que o mapa violava a referida lei de 1965, obrigando o estado a criar um segundo distrito de maioria negra. Os juízes da Suprema Corte, de maioria conservadora, decidiram agora que esse novo mapa “viola a Décima Quarta Emenda”, determinando que o estado não deve priorizar a raça, pois isso implica discriminar o restante dos eleitores brancos.
A Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês) classificou a decisão da Suprema Corte como um “golpe devastador” e afirmou que a decisão abre caminho para que “políticos corruptos” “manipulem o sistema, silenciando comunidades inteiras”.
“A Suprema Corte traiu os eleitores negros, traiu os Estados Unidos e traiu nossa democracia. Esta decisão representa um grande retrocesso para nossa nação e ameaça minar as vitórias que tanto nos custaram, pelas quais lutamos, derramamos sangue e morremos”, indicou em um comunicado.
Por sua vez, a União Americana pelas Liberdades Civis na Louisiana indicou que a decisão é “uma profunda traição ao legado do movimento pelos direitos civis” e que a representação dos eleitores negros, latinos, indígenas e outros “dependerá cada vez mais da boa vontade das legislaturas, em vez da lei”.
“Em termos práticos, isso significa que, mesmo onde a discriminação racial no voto é clara e contínua, as comunidades ficarão sem a arma mais importante que possuem para impedir que os estados redesenhem distritos que diluam seu poder político”, argumentou em um comunicado.
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