Leco Viana / Zuma Press / Europa Press
MADRID 19 out. (EUROPA PRESS) -
O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil recebeu da Polícia Federal (PF) um novo inquérito sobre o senador e candidato ultraconservador à Presidência do país, Flávio Bolsonaro, que já é alvo de outra investigação relacionada a um pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro —ex-proprietário do Banco Master, extinto após um esquema que inclui fraude e falsidade documentária— para o filme “Dark Horse”, uma homenagem ao próprio pai de Flávio, o ex-presidente do Brasil condenado por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro.
O novo processo aborda suspeitas de lavagem de dinheiro nas relações de Flávio Bolsonaro com o advogado Willer Tomaz — que, por sua vez, é alvo de investigações iniciadas em torno de movimentações de capital no setor de apostas —, conforme noticiado pela primeira vez neste domingo pelo jornal “Estadão” e confirmado pouco depois pelo “Folha”.
O processo, no entanto, chegou ao STF em 8 de outubro e foi atribuído, por sorteio, ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela instrução do caso que resultou na condenação de Jair Bolsonaro por golpe de Estado a 27 anos e três meses de prisão, bem como do processo pelo qual Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por tentar coagir juízes e orquestrar, a partir dos Estados Unidos, sanções contra o Brasil para obstruir o processo contra seu pai.
O “Estadão”, mais especificamente, cita fontes com acesso à investigação que teriam confirmado que o candidato ultraconservador — que, como senador, goza de imunidade parlamentar, razão pela qual o caso foi encaminhado ao Supremo — já está sendo investigado no processo.
“A análise da trajetória pessoal e dos dados relacionados a Willer revelou a existência de uma ampla rede de contatos com agentes públicos e figuras de destaque político, incluindo políticos, funcionários públicos, membros do Ministério Público e pessoas ligadas ao Poder Judiciário (...). Entre os vínculos que merecem atenção especial está o relacionado ao senador Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o investigado parece estar indicada nos elementos analisados”, aponta a Polícia Federal no inquérito citado pelo ‘Estadão’.
A nova investigação menciona registros de festas, encontros e reuniões entre Willer e Flávio, pagamentos de viagens para o parlamentar, bem como uma ligação com uma conta bancária em nome da empresa Alcazar Holding, na qual Flávio figurava como “usuário principal”.
“Durante as análises, foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro. Entre os registros encontrados, figuram referências a festas, encontros e reuniões dos quais ambos participaram, além de documentos de caráter pessoal ligados a Flávio que foram encontrados no iCloud de Willer”, indica a Polícia, que menciona que uma das contas bancárias do advogado movimentou cerca de 130 milhões de reais (22,9 milhões de euros) no período compreendido entre março e maio de 2025, e ressalta que seria necessário aprofundar a investigação sobre a origem e o destino dos recursos.
OS ADVOGADOS DE FLÁVIO REPROVAM A INFORMAÇÃO DO ‘ESTADÃO’
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro respondeu com um comunicado ao “Estadão”, ao qual repreende, alegando que “a informação publicada é errônea”, negando que seu cliente esteja sendo investigado no Supremo. “Apresentar como uma ‘nova investigação’ o que não passa de um processo recém-registrado e pendente de análise distorce a realidade e induz o leitor ao erro”, afirmou a defesa.
Por sua vez, os advogados de Willer Tomaz destacaram sua “surpresa” pelo fato de que, “num domingo e a poucas horas do debate entre os candidatos à Presidência, vaze uma suposta investigação até então desconhecida”. “Trata-se de um uso indevido do aparato policial com o claro propósito de ressuscitar acusações infundadas e interferir no resultado eleitoral”, denuncia a defesa de Tomaz, que nega a existência de “qualquer movimento financeiro irregular”.
“É igualmente inaceitável que o levantamento do sigilo das comunicações telemáticas do advogado Willer Tomaz sirva como instrumento para uma ‘busca indiscriminada de provas’ destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais”, acrescenta o comunicado.
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