Publicado 23/07/2025 00:57

Suprema Corte do Brasil denuncia "tentativa de interferência" após sanções dos EUA contra o juiz Moraes

Archivo - Arquivo - 17 de setembro de 2024, Brasília, Distrito Federal, Brasil: Brasília (DF), 16/09/2024 - POLÍTICA/SEDE/STF - Fachada da sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, nesta terça-feira, 17 de setembro de 2024. (Foto: Leandro Chema
Europa Press/Contacto/Leandro Chemalle - Arquivo

MADRID 23 jul. (EUROPA PRESS) -

O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil criticou na terça-feira "tentativas de ingerência política, nacional ou internacional", que qualificou de "injustificáveis", após as sanções com as quais os Estados Unidos retiraram o visto do ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil Alexandre de Moraes - encarregado do processo judicial contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro -, bem como de seus "aliados" no tribunal e suas famílias.

"A interferência interna ou externa na livre atuação do Poder Judiciário contraria os pilares do Estado de Direito, pois significaria corroer a independência, a imparcialidade e a honestidade exigidas dos juízes", defendeu a diretoria do tribunal em nota publicada em seu site, onde ressaltou que "tentativas de interferência política, nacional ou internacional em seu funcionamento e na atuação independente de seus membros são injustificáveis sob qualquer ponto de vista".

A mensagem - assinada, entre outros, pelo presidente do tribunal, Antonio Herman Benjamin - surgiu apenas quatro dias depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter ordenado a revogação do visto do juiz Alexandre de Moraes, dos seus "aliados" no tribunal e das suas famílias, depois de o juiz ter ordenado a imposição de medidas cautelares contra Bolsonaro por financiar uma conspiração nos Estados Unidos para defender a sua inocência.

Nesse sentido, a liderança do judiciário brasileiro ressaltou que "pressionar ou ameaçar juízes (e seus familiares) na esperança de que eles mudem ou distorçam a aplicação da lei enfraquece e deslegitima a essência de um modelo de justiça baseado na máxima de que a lei é e deve ser válida, com igual peso, para todos". Dessa forma, ele enfatizou que o "processo civil e criminal prevê uma ampla gama de recursos", de modo que "há mecanismos sólidos de controle e equilíbrio que garantem a integridade e a seriedade do sistema judicial".

O texto defende, assim, a soberania do país, "condição inegociável no Brasil e em todo o mundo", e ressaltou que "os juízes federais e estaduais brasileiros são escolhidos por mérito, após aprovação em um difícil concurso público nacional". "O Poder Executivo não controla - e seria impensável que tentasse fazê-lo - o funcionamento do Judiciário, seja para paralisar julgamentos, seja para orientar seu resultado", ressaltou.

"Nas relações com outros países, nos termos da Constituição de 1988, nosso comportamento é regido pela igualdade entre as nações, pela não intervenção e pela solução pacífica dos conflitos", diz a nota publicada, que reflete que, "entre os princípios consagrados na Constituição está, no artigo 1º, o respeito à soberania, nossa e dos outros".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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