Publicado 15/09/2026 22:55

A Suprema Corte adia a decisão sobre a abertura de inquérito contra o juiz De Moraes por causa das mensagens do ex-diretor do Banco

Archivo - Arquivo - Os juízes do Supremo Tribunal Federal do Brasil André Mendonça (à direita) e Alexandre de Moraes (ao lado dele) durante um julgamento
GUSTAVO MORENO/STF - Arquivo

Os juízes decidiram conduzir separadamente as possíveis investigações sobre De Moraes e Mendonça, que divulgou as mensagens

Lula acusa o juiz Mendonça de vazar “o que lhe interessava” e pede que todo o caso seja divulgado “para que toda a sociedade saiba quem estava envolvido nisso”

MADRI, 16 set. (EUROPA PRESS) -

A sessão em que o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil se preparava para decidir se abriria uma investigação contra Alexandre de Moraes pelo caso do Banco Master, em decorrência da divulgação de mensagens do ex-proprietário do banco, Daniel Vorcaro, enviadas ao magistrado, foi suspensa nesta terça-feira, sem data prevista para retomada, após uma série de confrontos e ataques entre os membros da alta cúpula do Poder Judiciário brasileiro.

O debate, transmitido pela televisão, revelou, durante mais de cinco horas — além de um intervalo —, uma clara divisão no Supremo, que nem sequer chegou a votar sobre a abertura da investigação, conforme relatado pelo jornal “Folha”. Em vez disso, o presidente do STF, Edson Fachin, atendeu ao pedido do juiz Flávio Dino de conceder mais tempo para a análise da questão.

Dessa forma, a próxima sessão deverá ser marcada em no máximo 90 dias, o que provavelmente adiará a eventual decisão para depois das eleições gerais que o Brasil enfrentará no próximo dia 4 de outubro.

Antes disso, na próxima quarta-feira, ocorrerá uma segunda sessão plenária na qual os magistrados discutirão a possibilidade de abrir outra investigação sobre as supostas irregularidades de seu colega André Mendonça na instrução do caso Master, que incluiu a solicitação à Polícia Federal de um laudo sobre as mensagens de Vorcaro para De Moraes e o levantamento do sigilo sobre o mesmo, o que desencadeou a crise atual.

Por outro lado, o tema também foi incluído entre os assuntos discutidos pelos juízes na sessão desta terça-feira, onde um setor favorável a De Moraes defendeu a análise da conduta de ambos no mesmo processo — uma proposta apresentada pelo magistrado Gilmar Mendes e apoiada por De Moraes, à qual a ala contrária se opôs.

Assim, Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia rejeitaram a medida, vencendo por 4 a 3 em uma votação acirrada contra Gilmar, De Moraes e Cristiano Zanin, bem como Dino, cujo voto não foi levado em conta devido ao seu pedido de prorrogação.

Por outro lado, os juízes Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques — cujos nomes, juntamente com os de alguns familiares, aparecem nas investigações do caso Master — evitaram votar, alegando o primeiro motivos de caráter “íntimo” e o segundo um conflito com sua função como presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

LULA ACUSA MENDONÇA DE DIVULGAR “O QUE LHE INTERESSAVA”

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se referiu a essa sessão do STF horas depois, acusando o juiz André Mendonça de “divulgar apenas o que lhe interessava” de algo que “ele mantinha guardado como segredo de Estado”. Tudo isso, ressaltou ele, “pode vir à tona agora para que toda a sociedade saiba quem estava envolvido nisso”.

Dessa forma, o presidente deu nomes, em entrevista à emissora brasileira Record, a uma denúncia que já vinha fazendo nos dias anteriores, sob uma reclamação reiterada sobre “vazamentos tendenciosos”.

Além disso, Lula quis saber “por que Toffoli não votou, por que Kássio não votou (e) quem participou dessa trama de Vorcaro”, afirmando que “o caso Vorcaro é uma rede criminosa que mobilizou muitas pessoas de diversas instâncias do Poder Judiciário e da classe política”.

“Fachin (o presidente do Supremo) está agora no comando para revelar tudo e descobrir quem fez o quê no Supremo Tribunal Federal. E quem tiver feito algo deve ser punido e julgado”, afirmou.

Diante dessa situação, Lula defendeu que “o povo brasileiro não pode ficar assistindo o Supremo Tribunal Federal perder credibilidade perante a sociedade”. “A instância máxima da justiça brasileira deve ser um exemplo; portanto, que se investigue com todo o rigor e se levante o sigilo das comunicações telefônicas de todos”, exigiu.

Nesse contexto, ele mencionou uma de suas propostas de campanha — na qual a equipe do candidato de extrema direita Flávio Bolsonaro tenta vincular Lula a De Moraes —, a reforma da Justiça brasileira: “É preciso criar critérios para moralizar o Poder Judiciário brasileiro”, afirmou antes de questionar: “Se as instâncias encarregadas de julgar a sociedade geram desconfiança nela, que tipo de mundo vamos criar?”.

“O Supremo Tribunal Federal deve ser o exemplo magnânimo deste país (...), ninguém pode estar sob suspeita”, ressaltou, defendendo, nesse sentido, que “quem cometeu um erro pague o preço que o povo brasileiro exige”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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