GUARDIA CIVIL/POLICÍA FORAL
PAMPLONA 11 set. (EUROPA PRESS) -
A Guarda Civil, em coordenação com a Polícia Foral, prendeu na última terça-feira um homem de nacionalidade espanhola, como principal suspeito do suposto assassinato do francês cujos restos mortais foram encontrados na tarde do último dia 4 de agosto na represa de Yesa. Naquele dia, um banhista acionou o 112 após descobrir que havia vestígios na margem que poderiam corresponder a partes do corpo de uma pessoa.
A partir desse momento, agentes da Guarda Civil realizaram uma operação de busca com o apoio de especialistas, como o Serviço GEAS, a Unidade Cinológica e a Equipe de Drones, não tendo sido localizados na represa nem nas imediações mais restos humanos, veículos sem dono ou material abandonado que pudesse ter alguma relação com o fato.
A Guarda Civil consultou o banco de dados de pessoas desaparecidas, sem encontrar nenhum homem que correspondesse às características do falecido. A proximidade do local da descoberta com a França e uma tatuagem da Legião Francesa no antebraço do falecido levantaram a suspeita de que pudesse se tratar de um cidadão francês; por isso, foi solicitada cooperação policial internacional, explicam em um comunicado de imprensa conjunto da Guarda Civil e da Polícia Foral.
Paralelamente, a Guarda Civil entrou em contato com unidades de investigação de províncias vizinhas para divulgar as características do falecido. Poucos dias depois, a Polícia Foral recebeu uma denúncia sobre o desaparecimento de um homem que poderia corresponder aos restos mortais encontrados na represa de Yesa; por isso, ambos os órgãos intensificaram as investigações para confirmar sua identidade.
A investigação levou, no último dia 8 de agosto, à busca na residência da vítima, em Pamplona, onde ela morava com outro homem. A Guarda Civil e a Polícia Foral recolheram na residência e no veículo do colega de quarto diversas evidências que, após serem analisadas, permitiram avançar na investigação. Por fim, no último dia 8 de setembro, o suposto autor foi detido em Pamplona ao sair de sua residência para passear com os cães, em uma operação conjunta das duas forças policiais.
Por sua vez, o juiz titular da Seção Civil e de Instrução do Tribunal de Primeira Instância Plaza No 1 de Ejea de los Caballeros (Saragoça), que conduziu a investigação em todos os momentos, recebeu o detido nesta mesma quinta-feira, decretando sua prisão preventiva sem fiança, além de ter levantado o sigilo do processo.
PONTOS-CHAVE DA INVESTIGAÇÃO
A vítima e o suposto autor moravam juntos no bairro de La Milagrosa, em Pamplona, onde este último alugava um quarto da vítima. Ambos haviam apresentado queixas mútuas nos últimos meses devido a problemas de convivência, com várias intervenções policiais por discussões na residência, além de supostos atrasos no pagamento da vítima ao suspeito. Na residência também viviam cinco cães: quatro do suspeito e um da vítima.
Por outro lado, em 7 de agosto de 2026, agentes da Polícia Municipal de Beriáin localizaram o cão da vítima nas proximidades do lago de Morea (Navarra), depois que um cidadão alertou que o animal estava vagando sem dono há horas. A leitura do microchip permitiu dar início às providências para localizar seu dono, embora essas tentativas tenham sido infrutíferas. Por fim, os policiais entraram em contato com a ex-parceira dele, que, no dia seguinte, registrou o desaparecimento na Polícia Foral.
A colaboração entre as duas forças de segurança permitiu, posteriormente, estabelecer a possível correspondência entre o desaparecido e os restos mortais encontrados em uma praia do reservatório de Yesa, no município de Sigüés (Saragoça).
Os investigadores constataram que o suposto autor, colega de apartamento da vítima, era uma pessoa conflituosa, com vários antecedentes por ameaças a vizinhos do bairro. Também verificaram a existência de queixas mútuas entre ambos nos últimos meses e várias intervenções policiais por discussões na residência.
PERSEGUIMENTO DA RESIDÊNCIA E MOVIMENTOS ANTERIORES
Em 8 de agosto, a Guarda Civil solicitou autorização judicial para revistar a residência que a vítima e o suposto autor compartilhavam, com o objetivo de coletar provas que permitissem esclarecer os fatos. Os investigadores encontraram sinais evidentes de uma limpeza recente, especialmente no banheiro, bem como vários frascos de alvejante aparentemente utilizados. Também chamaram a atenção as câmeras instaladas no interior da residência, que haviam sido desconectadas de forma abrupta.
Os especialistas localizaram pequenas gotas de sangue em locais incomuns, como o teto e uma parede, cujas amostras foram encaminhadas ao Serviço de Criminalística (SECRIM) da Guarda Civil. A análise determinou que elas correspondiam ao mesmo perfil genético dos restos encontrados em Yesa.
A análise das câmeras e de outras evidências, juntamente com a data da morte estabelecida pelos peritos forenses — cerca de 72 horas antes da descoberta —, permitiu determinar que a vítima saiu para passear com seu cachorro na tarde de sábado, 1º de agosto, e que não voltou a sair de casa por conta própria. Além disso, constatou-se que, a partir do dia seguinte, 2 de agosto, o suposto autor esteve nas proximidades do reservatório de Yesa e que, anteriormente, havia transportado vários pacotes de sua residência em Pamplona até seu veículo, estacionado na rua. Por esse motivo, os especialistas também coletaram amostras do veículo para análise.
As investigações da Guarda Civil e da Polícia Foral permitiram, além disso, detectar a compra, dias antes dos fatos, de uma serra sabre em um supermercado próximo à residência. Os peritos forenses determinaram que as características dos cortes praticados nos restos mortais poderiam ser compatíveis com uma ferramenta desse tipo. A serra, no entanto, ainda não foi localizada, apesar das buscas e apreensões realizadas.
Por fim, a análise do celular do suposto autor revelou pesquisas relacionadas ao corte de carne com ferramentas cortantes, ao estrangulamento com abraçadeiras e ao crime na Tailândia protagonizado por Daniel Sancho e Edwin Arrieta. Além disso, dias antes do crime investigado, uma conhecida emissora de televisão espanhola havia exibido um documentário sobre esse último caso.
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