MELILLA 4 fev. (EUROPA PRESS) -
O Comitê Federal Territorial do Sindicato Unificado da Polícia (SUP) em Melilla manifestou seu desacordo com as declarações feitas pela delegada do Governo na cidade autônoma, Sabrina Moh, após os supostos insultos racistas de agentes da UIP da Polícia Nacional a um guarda civil à paisana, porque “supõem uma condenação pública dos policiais sem que haja um julgamento prévio”.
Em comunicado, o SUP assegura que o sindicato defende valores contrários a qualquer forma de discriminação por motivos de raça, sexo, religião, opinião ou outras circunstâncias pessoais ou sociais, ao mesmo tempo que reitera a sua lealdade às instituições do Estado. No entanto, sublinha que não aceita “pressões ou decisões que considere prejudiciais para os policiais por parte de instâncias superiores”.
Nesse sentido, critica especialmente uma mensagem publicada pela delegada do Governo nas redes sociais um dia após os fatos, na qual, segundo o SUP, os agentes envolvidos foram acusados de terem proferido insultos racistas contra um cidadão de Melilha — que acabou por ser um guarda civil — e foi anunciada a ativação de mecanismos de investigação para apurar responsabilidades.
Na opinião do sindicato, estas declarações “representam uma condenação pública sem que tenha havido um julgamento prévio”, o que “pode gerar animosidade social e mediática em relação ao trabalho das unidades policiais em Melilha”. Neste sentido, insiste na necessidade de respeitar o processo judicial ou administrativo que os factos possam ter antes de emitir avaliações públicas.
O SUP aguardará o desenrolar das investigações e reitera seu compromisso de “defender os interesses profissionais dos agentes da Polícia Nacional”. Além disso, coloca à disposição dos agentes envolvidos seus serviços jurídicos, “com o objetivo de garantir que possam se defender com todas as garantias processuais e não se sintam desprotegidos”.
Esta declaração surge depois de a delegada do Governo em Melilha, Sabrina Moh, ter anunciado a ativação de todos os mecanismos de investigação para apurar possíveis responsabilidades, após ter tomado conhecimento dos alegados insultos racistas proferidos por um grupo de agentes da UIP que estavam de serviço contra um cidadão de Melilha, concretamente um guarda civil, o especialista em artes marciais Nebil Mohamed Amaruch 'El Lobo', que estava fora de serviço em um café com sua esposa e filhos.
Através de suas contas pessoais no Facebook e no X, Sabrina Moh, também secretária-geral do PSOE em Melilla, afirmou que as atitudes racistas são incompatíveis com uma sociedade democrática e com as instituições públicas. “Assim que tomamos conhecimento dos insultos proferidos por um grupo de agentes da UIP, que estavam de serviço, contra um cidadão de Melilla, ativamos todos os mecanismos de investigação para apurar responsabilidades. Diante do racismo e do insulto, tolerância zero”, afirmou. Os fatos teriam ocorrido no sábado, 31 de janeiro, por volta das 10h, em um café no centro da cidade, quando a vítima, Nebil Mohamed Amaruch, tomava café da manhã com sua companheira e seus quatro filhos. Segundo os denunciantes, os insultos teriam sido de caráter racista e humilhante. Da mesma forma, a Coalizão por Melilha (CPM) expressou publicamente seu total apoio e solidariedade a Nebil Mohamed Amaruch e sua família, condenando veementemente a agressão verbal sofrida. Em um comunicado, a CEP considera que esse tipo de comportamento, especialmente quando proveniente de quem deve garantir a segurança e o respeito, é absolutamente inadmissível. A CPM, principal partido da oposição na Assembleia de Melilha, mostrou sua rejeição a qualquer ato de racismo, discriminação ou abuso de poder, ressaltando que a convivência e o respeito mútuo são pilares essenciais da cidade. “MACACO”, “MORO” OU “CHIMPANZÉ”
Na mesma linha, pronunciou-se o deputado da oposição Somos Melilla, Amin Azmani, que detalhou que os insultos supostamente proferidos incluíam expressões como “macaco”, “moro” ou “chimpanzé”. Azmani manifestou seu apoio e solidariedade a Nebil, a quem definiu como uma pessoa conhecida em Melilla por sua qualidade humana e trajetória profissional. Em sua opinião, os fatos constituem um crime de ódio “intolerável” que envergonha a sociedade, demonstrando sua confiança de que a denúncia apresentada permitirá esclarecer o ocorrido. O partido Nueva Melilla, por meio de seu porta-voz Mohamed Busián, também condenou os fatos, somando-se às manifestações de repúdio e apoio à vítima. Por sua vez, a Associação Comunidade Muçulmana de Melilha expressou sua mais absoluta repulsa pelo ocorrido, classificando os fatos, se confirmados, como de “extrema gravidade”. A entidade ressaltou que “não se trata de uma anedota, mas de um acontecimento que prejudica a convivência, viola a dignidade das pessoas e prejudica a imagem das instituições públicas”.
Além disso, sublinhou que Melilha “é um exemplo de pluralidade e respeito, valores que, afirmou, devem ser protegidos com firmeza”. A investigação aberta pela Delegação do Governo, da qual dependem as Forças e Corpos de Segurança do Estado, deverá determinar as circunstâncias do ocorrido e, se for caso disso, as responsabilidades correspondentes.
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