Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
MADRID 20 jun. (EUROPA PRESS) -
O Sindicato Unificado da Polícia (SUP) manifestou sua “total rejeição” e considera “inaceitável” qualquer “declaração ou insinuação” que possa pôr em dúvida o profissionalismo, a integridade, a lealdade institucional ou o respeito à legalidade dos policiais nacionais que prestam serviço nas unidades de proteção às autoridades.
Foi o que declararam em um comunicado, em resposta à decisão do juiz Juan Carlos Peinado, na qual determina a abertura de julgamento contra Begoña Gómez, esposa do presidente do Governo, acusada de supostos crimes de tráfico de influências, corrupção nos negócios, apropriação indevida e desvio de recursos públicos. Além disso, retira-lhe o passaporte e a impede de deixar o território espanhol.
O magistrado alega na decisão que os policiais nacionais que escoltam Gómez “em determinado momento possam, seja por iniciativa própria ou seguindo ordens de seus superiores hierárquicos, ser justamente aqueles que colaborem na ação ou ações realizadas para facilitar uma fuga, tornando impossível que a acusada se encontre à disposição da Justiça”.
“PROCESSOS RIGOROSOS DE SELEÇÃO E FORMAÇÃO” DOS AGENTES
Diante disso, o sindicato policial defendeu que os integrantes dessas unidades de proteção a autoridades são admitidos após passarem por “rigorosos processos de seleção e formação” e desempenham uma função de “máxima responsabilidade” sob protocolos de atuação rigorosos.
Segundo o SUP, esses agentes estão sujeitos “em todos os momentos” à Constituição, ao ordenamento jurídico e aos princípios de legalidade, neutralidade política, objetividade e imparcialidade que regem a atuação das Forças e Corpos de Segurança do Estado (FCSE).
Por isso, considera “especialmente preocupante” que possam ser formuladas hipóteses que sugiram a possibilidade de agentes da Polícia Nacional colaborarem em ações contrárias à ação da Justiça, seja por iniciativa própria ou seguindo supostas ordens hierárquicas.
“Os policiais nacionais não agem à margem da lei nem são obrigados a cumprir ordens manifestamente ilegais”, ressaltou o sindicato, que lembrou que o ordenamento jurídico é “claro” a esse respeito e exige que todo funcionário público atue sempre dentro da legalidade.
O sindicato destacou que as FCSE constituem uma das principais garantias do Estado de Direito e que sua função é assegurar o cumprimento das decisões judiciais, proteger os direitos e liberdades dos cidadãos e servir com “absoluta neutralidade” aos interesses gerais.
Por fim, o SUP defendeu que o prestígio da Polícia Nacional se sustenta “na confiança que a sociedade deposita em seus profissionais” e alertou que essa confiança não pode ser minada por afirmações genéricas que, sem identificar condutas específicas nem se basear em indícios concretos, projetem sobre milhares de policiais “uma sombra de suspeita incompatível com a realidade do serviço que prestam diariamente”.
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