Publicado 15/01/2026 09:55

Sumar e os parceiros pedem ao governo que classifique a captura de Maduro como "sequestro" e exigem sua libertação.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e União Europeia, José Manuel Albares, durante uma sessão plenária extraordinária, no Congresso dos Deputados, em 15 de janeiro de 2026, em Madri (Espanha). O Plenário do Congresso reuniu-se de forma extrao
Eduardo Parra - Europa Press

MADRID 15 jan. (EUROPA PRESS) - Sumar e os parceiros parlamentares do governo questionaram a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, exigindo a libertação do seu presidente, Nicolás Maduro, e que o Executivo não hesite em classificar como “sequestro” a sua captura durante a mesma para o transferir para solo norte-americano e julgá-lo lá por narcoterrorismo.

Durante a comparecência do ministro dos Negócios Estrangeiros, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, perante o plenário do Congresso dos Deputados para falar sobre a Venezuela, o porta-voz do Sumar na Comissão dos Negócios Estrangeiros, Agustín Santos, defendeu a necessidade de “acompanhar a situação na Venezuela para evitar que se torne um protetorado de Trump”.

Também é preciso “incentivar o diálogo nacional de todas as facções políticas para reconstruir sua soberania violada e ultrajada e criar o clima para isso com a libertação de todos os presos políticos, incluindo Nicolás Maduro”, disse Santos. “É igualmente necessário “levantar sanções que, como na maioria das vezes, prejudicam sobretudo os mais desfavorecidos e o povo”, sustenta.

DEFESA DE ZAPATERO Da mesma forma, o que foi o “número dois” da lista de Yolanda Díaz por Madri quis agradecer ao ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, contra cujo trabalho tanto o PP quanto o Vox atacaram duramente em suas intervenções, acusando-o de branquear o chavismo.

O porta-voz do ERC, Gabriel Rufián, também saiu em defesa do ex-presidente, para quem o PP o “odeia tanto” e tem “tanta aversão” porque “ele os venceu em 2004, derrotou a ETA em 2011 e lançou a campanha de 2023”. Além disso, lembrou que defendeu o ex-presidente José María Aznar contra as críticas do então mandatário venezuelano, Hugo Chávez. “Isso é ser patriota e não aplaudir um genocida”, avaliou. Da mesma forma, Rufián pediu a Albares que não hesite em classificar como “sequestro” a captura de Maduro. “O que aconteceu no outro dia, independentemente da opinião que se tenha sobre o senhor Maduro, é um sequestro”, defendeu. “O político, ou a nossa ideologia, não tem que estar acima do ‘Direito Internacional’”, disse ao ministro, a quem pediu que não tivesse tanta dificuldade em usar este termo, “como teve em dizer genocídio”.

Por sua vez, a líder do Podemos, Ione Belarra, denunciou “a intervenção ilegal que os Estados Unidos fizeram contra a Venezuela durante este Natal, o sequestro de seu presidente, o bombardeio de Caracas e o assassinato de dezenas de venezuelanos e venezuelanas”.

Além disso, ela colocou em foco o PP e seu apoio à líder da oposição María Corina Machado, que o próprio Donald Trump disse que “não tem legitimidade para governar a Venezuela, não tem apoio dentro da Venezuela”. “Vocês passaram tanta vergonha”, disse ela à porta-voz do PP, Cayetana Álvarez de Toledo.

O QUE TRUMP FEZ É INACEITÁVEL O porta-voz do EH Bildu, Jon Iñarritu, também falou de “sequestro”. “Essa agressão, esse sequestro são inaceitáveis, são uma clara violação dos princípios do Direito Internacional e é importante denunciá-los” porque “criam precedentes”, afirmou.

Para o deputado do BNG, Néstor Rego, o bombardeio dos Estados Unidos na Venezuela e “o sequestro do presidente constitucional, Nicolás Maduro, é uma ação que viola claramente o Direito Internacional e a soberania desse país”. Assim sendo, ele pediu ao governo que exija o fim de “qualquer ação hostil dos Estados Unidos contra a Venezuela e que libertem seu presidente”.

PNV E JUNTS CRITICAM A AÇÃO DOS EUA Por sua vez, a porta-voz do PNV, Maribel Vaquero, concordou que a ação militar dos Estados Unidos “viola mais uma vez a ordem internacional, entrando na Venezuela e detendo Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores”, mas não chegou a falar em sequestro. “Esperamos que, num futuro próximo, Maduro seja investigado e julgado por um tribunal independente e imparcial”, acrescentou. O que aconteceu na Venezuela “é algo inaceitável”, afirmou, salientando que isso não significa que o seu partido queira “encobrir o sistema político-ditatorial estabelecido por Maduro e seu governo na Venezuela, que se mantinha no poder graças a eleições falsas”.

Por sua vez, a deputada do Junts Marta Madreras mostrou sua solidariedade com o povo venezuelano diante da “ditadura” de Nicolás Maduro e criticou a atuação do governo Trump por ter “violado”, com sua “demonstração de força”, os princípios básicos do Direito Internacional.

Como independentista, Madreras salientou que “sempre” souberam distinguir “entre legalidade e legitimidade” para deixar claro que “nunca” irão ignorar as violações dos direitos humanos “se servirem a vontade democrática e protegerem as liberdades”.

“Aceitar acriticamente o regime de Maduro é o mesmo que aceitar que Franco não era um ditador, e aceitar acriticamente a atuação de Trump é o mesmo que legitimar a repressão exercida pela Espanha contra o independentismo”, defendeu.

Por último, a deputada da Coalición Canaria, Cristina Valido, salientou que “o povo venezuelano não pode continuar a ser refém nem dos interesses partidários da esquerda nem da direita, mas também não das potências que procuram apenas saquear os seus recursos”, ao mesmo tempo que admitiu que a única “esperança” que resta é a diplomacia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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