Alberto Ortega - Europa Press
MADRID, 21 abr. (EUROPA PRESS) -
Sumar, Podemos e IU criticaram o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, por apoiar o plano de autonomia para o Saara Ocidental proposto pelo Marrocos e sua falta de transparência por se reunir na semana passada, em plena Quinta-feira Santa, com seu homólogo marroquino, Nasser Burita.
Em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, a coordenadora geral do Sumar, Lara Hernández, repreendeu o ministro das Relações Exteriores por essa reunião com o governo marroquino, que não obedece à transparência necessária que deve existir no Executivo, e disse que a posição do PSOE não representa o governo de coalizão como um todo.
De fato, ele destacou que haverá pressão sobre a ala socialista do Executivo no Congresso, observando que será o grupo parlamentar plurinacional que concordará com uma resposta na forma de iniciativas parlamentares à cúpula entre Albares e seu colega marroquino.
Hernández reclamou que Albares teve uma reunião "surpresa" com o ministro marroquino das Relações Exteriores, na qual ambos se gabaram das relações entre os dois países após a reviravolta do PSOE em relação ao Saara Ocidental, apoiando o plano de autonomia de Rabat. Por sua vez, o Ministério emitiu um comunicado no dia anterior informando que haveria uma declaração institucional de ambos.
Contra isso, a coordenadora geral do Sumar explicou que seu partido é um firme defensor de todos os povos "oprimidos" e está do lado dos saharauis, defendendo seu direito à livre autodeterminação, que tem um alto nível de consenso na sociedade espanhola.
Além disso, ele disse que a defesa dos direitos humanos é uma "linha vermelha" na política internacional e acusou o PSOE de sair do consenso geral de apoio à soberania do Saara Ocidental, não cumprindo o mandato da ONU.
Dessa forma, o líder de Sumar insistiu que a única posição válida é a rejeição do plano de autonomia de Rabat para a ex-colônia espanhola.
IU: O GOVERNO TEM QUE ESCOLHER
Por outro lado, a secretária de Organização da IU, Eva García Sempere, expressou o "firme repúdio" e a "rejeição" da posição do ministro das Relações Exteriores, com seu apoio ao plano de autonomia "ilegítimo" para o Saara Ocidental, apresentado por Rabat e que responde apenas aos interesses "expansionistas" do Marrocos.
Ele também apontou que esse plano de autonomia já era um fracasso quando foi apresentado em 2007, já que é uma proposta "unilateral" do Marrocos e que não incluía a Frente Polisario, a legítima representante do povo saharaui.
Ele também criticou o fato de que o plano ignora os "mandatos da ONU" e o reconhecimento do direito à autodeterminação do povo saharaui, que deve escolher livremente seu futuro por meio de um referendo.
"O Marrocos não tem legitimidade legal, política ou mesmo moral para apresentar seu plano expansionista baseado na violação sintomática dos direitos humanos e na pilhagem dos recursos do povo saharaui", acrescentou.
Por isso, ele declarou que o governo "tem que escolher" se vai apoiar a lei internacional, as Nações Unidas e o povo saharaui, ou se vai apoiar aqueles que estão sufocando um povo "corajoso", muitas vezes "esquecido e traído".
"O povo saharaui não é e não pode ser uma moeda de troca para melhorar as relações com o governo marroquino", concluiu García Sempere.
PODEMOS: A ESPANHA TEM UMA DÍVIDA COM O POVO SAHARAUI
Por sua vez, o secretário de organização do Podemos, Pablo Fernández, reiterou suas críticas à posição do PSOE sobre o Saara e expressou o apoio de seu partido ao direito do povo saharaui à autodeterminação.
"O povo espanhol tem uma dívida com o povo saharaui e a Espanha e este governo devem trabalhar nesse referendo de autodeterminação", acrescentou, lamentando a posição do Ministério das Relações Exteriores e a virada unilateral do PSOE em apoiar a posição do Marrocos.
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