Publicado 11/07/2026 14:48

O Sumar deixa de ser um “guarda-chuva” de partidos e se redefine como uma força própria, com regras que proporcionem “estabilidade”

O movimento se propõe a dobrar o número de seus membros, criar uma fundação própria e estabelecer uma rede de Ateneus Populares aberta à população

Uma imagem da votação na assembleia extraordinária do movimento Sumar.
MOVIMIENTO SUMAR

MADRID, 11 jul. (EUROPA PRESS) -

O Movimento Sumar aprovou um novo plano de ação com o qual deixa para trás seu papel de “guarda-chuva político” de diversas organizações para se redefinir como uma força nacional com identidade própria dentro do movimento trabalhista ecossocialista e de uma futura frente ampla dotada de regras comuns que proporcionem “estabilidade” ao espaço progressista após anos de crise.

A proposta político-organizacional, endossada por 98,96% dos participantes da assembleia realizada neste sábado, sustenta que a formação deve superar a hipótese com a qual surgiu — concebida como um espaço de coordenação de forças estaduais e territoriais —, e construir “de forma definitiva” uma organização própria que possa se integrar a outras “em uma ferramenta capaz de revalidar o governo progressista em 2027”.

O texto considera que a saída de Yolanda Díaz do cargo de coordenadora do Movimento Sumar e sua renúncia a liderar eleitoralmente o espaço devem ser entendidas como uma aposta na transformação da organização e na facilitação da construção de novas alianças. No entanto, adverte que esse objetivo não pode consistir na “enésima soma de peças e aparatos políticos”.

SUPERAR A COALIZÃO SUMAR

A formação defende que a futura frente ampla deve garantir uma maioria plurinacional e progressista no Congresso, superar o que a coalizão Sumar representou nas eleições de 2023 e iniciar um novo ciclo político.

Para isso, propõe estabelecer normas comuns de funcionamento, mecanismos democráticos para a escolha de candidaturas, censos abertos à cidadania, primárias para resolver desacordos e procedimentos para elaborar um programa compartilhado entre as diferentes organizações.

O Movimento Sumar sustenta que essas regras devem permitir projetar certezas após anos de instabilidade no seio do espaço progressista. Também reivindica que a aliança conte com uma participação cidadã acessível e não se limite a acordos entre as direções dos partidos.

A proposta rejeita transformar a unidade em uma identidade política por si só e destaca que o sucesso da frente dependerá de sua capacidade de construir uma liderança clara, uma linha comum atraente e um espaço interno “confiável, tranquilo, estável, saudável, agradável e atraente”.

UMA IDENTIDADE TRABALHISTA E ECOSOCIALISTA

Dentro dessa aliança, o Movimento Sumar deseja contribuir com um perfil próprio, definido como trabalhismo ecossocialista ou ecossocialismo trabalhista, acompanhado de uma orientação feminista e antirracista.

O documento aposta na transformação do mundo do trabalho, na liberação de tempo para a vida, na democratização da economia e na participação dos trabalhadores no rumo econômico do país. Defende também uma industrialização verde baseada na eletrificação e nas energias renováveis, que garanta empregos e salários dignos.

A formação propõe, além disso, colocar a inteligência artificial e os algoritmos a serviço das pessoas, criar novos direitos trabalhistas vinculados aos avanços tecnológicos e defender a soberania digital diante do poder dos “tecno-oligarcas”.

A moradia ocupa outro lugar central no roteiro. O Sumar a define como um dos principais fatores de precariedade e desigualdade e reivindica a intervenção das instituições no mercado para garanti-la como um direito e não como um bem destinado à especulação.

CONTINUAR EM UM NOVO GOVERNO DE ESQUERDA

O documento defende que a futura frente ampla aspire a fazer parte de um novo governo progressista e sustenta que a presença no Executivo é “indispensável para orientar as políticas do Estado”.

No entanto, admite que nem todas as organizações que possam integrar a aliança precisam compartilhar dessa posição, desde que reconheçam como legítimo que outras forças queiram participar do governo.

O Movimento Sumar afirma que a experiência das duas últimas legislaturas de coalizão demonstra que o espaço precisa ter “mais força tanto dentro quanto fora” do Executivo para avançar em direitos trabalhistas, moradia, assistência social, democratização do Estado e transição ecológica.

MAIS AUTONOMIA PARA OS TERRITÓRIOS

No plano interno, a formação aposta em avançar para um modelo de caráter confederal, no qual os diferentes territórios possam se constituir como organizações próprias, com personalidade jurídica e recursos próprios.

Esse processo se desenvolverá de forma assimétrica, dependendo da implantação de cada estrutura territorial. Além disso, as diretorias executivas deverão contar, de forma rotativa, com representantes dos territórios, e será estabelecido um mecanismo periódico de informação, debate e tomada de decisões com a direção nacional.

A proposta inclui também a reforma do grupo coordenador para ampliar o tempo dedicado aos debates estratégicos, o fortalecimento dos espaços setoriais e a criação de uma Fundação Sumar destinada a elaborar relatórios, realizar pesquisas de opinião, produzir discursos e organizar atividades de formação e culturais.

Também será lançado o projeto “Sumar X2”, com o objetivo de dobrar o número de inscritos e militantes, e uma rede de “Ateneos Populares”, concebidos como espaços culturais, de encontro e participação abertos à sociedade civil.

ALIANÇAS, JOVENS E MUNICIPALISMO

A organização propõe consolidar uma aliança política e eleitoral com o Verdes Equo, renovar sua colaboração com os Comunes e explorar acordos adaptados às particularidades de territórios como Madri, Aragão, Comunidade Valenciana, Extremadura, Astúrias e Andaluzia.

A assembleia aprovou ainda a criação de um Espaço Jovem com personalidade jurídica, cadastro e estatutos próprios, porta-voz autônomo e representação nos diferentes níveis territoriais do Movimento Sumar.

Entre suas propostas estão o voto aos 16 anos, uma renda básica universal para jovens, a redução da jornada de trabalho para 32 horas, a regulamentação dos aluguéis, a ampliação da habitação pública e o transporte coletivo gratuito.

De vista às eleições municipais de maio de 2027, a formação aposta em recuperar o espírito das candidaturas de coalizão surgidas em 2015 e promover projetos abertos a partidos, movimentos sociais e cidadãos, com o objetivo de reconquistar governos locais e tornar o municipalismo um dos principais eixos de sua estratégia política.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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