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O presidente do Parlamento iraniano minimiza as notícias sobre possíveis avanços diplomáticos
MADRID, 7 maio (EUROPA PRESS) -
As autoridades suíças se mostraram dispostas a sediar um encontro entre os Estados Unidos e o Irã para avançar nas negociações com o objetivo de chegar a um acordo que ponha fim ao conflito no Oriente Médio, desencadeado pela ofensiva lançada de surpresa em 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra o país asiático.
“A Suíça está pronta a qualquer momento para oferecer seus bons ofícios”, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores suíço, Melanie Gugelmann, em declarações concedidas à Europa Press, depois que fontes citadas pelo site norte-americano Axios apontaram avanços nos contatos entre Teerã e Washington e indicaram que poderia haver um encontro para acertar os últimos detalhes na capital do Paquistão ou na cidade suíça de Genebra.
Além disso, ela destacou que o ministério “está em contato com todas as partes envolvidas e reiterou sua disposição de apoiar qualquer iniciativa diplomática que possa contribuir para a paz”, sem que, até o momento, os Estados Unidos ou o Irã tenham se pronunciado sobre a possibilidade de uma nova reunião, diante do impasse nos contatos nas últimas semanas.
As declarações de Gugelmann chegam um dia após as informações citadas pela Axios, que indicaram que a Casa Branca acredita haver avanços em torno de um acordo sobre um memorando de entendimento para pôr fim à guerra e estabelecer as bases para negociações mais detalhadas sobre o programa nuclear iraniano.
Em sua forma atual, o documento significaria o fim da guerra e o início de um período de negociações de 30 dias para um acordo sobre a abertura do Estreito de Ormuz, a fixação de limites ao programa nuclear iraniano e o levantamento das sanções impostas pelos Estados Unidos ao país asiático, sempre de acordo com as informações da Axios.
No entanto, o presidente do Parlamento do Irã, Mohamed Baqer Qalibaf, colocou em dúvida a veracidade dessas informações, no contexto das recentes tensões no Estreito de Ormuz e da falta de avanços para uma segunda rodada de contatos cara a cara entre as delegações dos Estados Unidos e do Irã.
“A operação ‘Confie em mim, irmão’ fracassou. Agora, de volta à rotineira operação 'Fauxios'", afirmou ele em uma breve mensagem nas redes sociais, em aparente referência ao 'Projeto Liberdade' — lançado pelos Estados Unidos na segunda-feira para tentar escoltar navios em Ormuz e suspenso na quarta-feira — e ao referido portal de notícias, com o qual fez um jogo de palavras sugerindo pouca veracidade em suas informações.
O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, já havia enfatizado na quarta-feira que Teerã “não cederá às exigências unilaterais” e exigiu que os Estados Unidos “retirem as ameaças militares” contra o país para que haja avanços nas negociações, mediadas pelo Paquistão, diante das ações militares americanas no estreito de Ormuz, onde mantêm um bloqueio aos portos iranianos.
Os Estados Unidos e o Irã estão imersos em um processo de diálogo, embora as diferenças nas posições tenham impedido, até o momento, a realização de uma segunda reunião em Islamabad, que sediou um primeiro encontro presencial após o acordo de cessar-fogo firmado em 8 de abril, prorrogado desde então sem prazo determinado pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
O bloqueio ao Estreito de Ormuz e o recente assalto e apreensão de navios iranianos na zona por parte das forças americanas têm sido um dos motivos invocados por Teerã para não comparecer a Islamabad, uma vez que considera que essas ações constituem uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo. Apesar disso, ambos os países mantêm seus contatos por meio da mediação de Islamabad.
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