Europa Press/Contacto/Zeynep Demir Aslim
MADRID, 17 abr. (EUROPA PRESS) -
Vários líderes políticos do Reino Unido pediram ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que renuncie após ter vindo a público que o ex-embaixador nos Estados Unidos, agora investigado pelo caso Epstein, Peter Mandelson, foi autorizado para o cargo pelo Ministério das Relações Exteriores, mesmo tendo sido suspensa uma autorização relativa aos seus antecedentes pessoais, financeiros e profissionais.
Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador e líder da oposição, afirmou que é “absurdo” que Starmer, que se distanciou do caso, tenha tomado conhecimento na última quinta-feira de que Mandelson não tinha autorização e pediu que o líder trabalhista renuncie. “Se o primeiro-ministro não sabe o que está acontecendo em seu próprio gabinete, não deveria estar no comando do nosso país. Ele deveria se demitir”, afirmou Badenoch em suas redes sociais.
Além da líder conservadora, o líder do partido de extrema direita Reform, Nigel Farage, também pediu a saída de Starmer e afirmou que a demissão de altos cargos do Ministério das Relações Exteriores “foi um sacrifício” para salvar o primeiro-ministro, em declarações à emissora de rádio LBC.
Da mesma forma, o líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, juntou-se aos pedidos e ressaltou que, se Starmer mentiu sobre o veto do Ministério das Relações Exteriores a Mandelson, “ele tem que sair”. “O Partido Trabalhista prometeu limpar a política e agora está sendo tão ruim quanto os conservadores”, criticou em uma mensagem nas redes sociais.
Por sua vez, o primeiro-ministro da Escócia, John Swinney, pediu a saída de Starmer após insistir que não há motivo para duvidar da versão apresentada pelo primeiro-ministro britânico, mas ressaltou que os fatos revelaram “um nível de incompetência impressionante”. “Não se pode ter alguém incompetente como primeiro-ministro, então acredito que o primeiro-ministro deve renunciar”, afirmou em declarações à BBC.
Starmer, que se encontra nesta sexta-feira em Paris para se reunir com o presidente francês, Emmanuel Macron, distanciou-se do caso e confiou a seu chefe de gabinete, Darren Jones, a posição do governo. Jones afirmou que o primeiro-ministro está “furioso” com o Ministério das Relações Exteriores por não ter sido informado diretamente sobre Mandelson e “suspendeu a competência do Ministério para autorizar credenciais de segurança”, conforme esclareceu Jones em entrevista à Sky News.
As críticas a Starmer também vêm de dentro do próprio Partido Trabalhista, depois que a deputada Diane Abbott disse “não acreditar que Starmer não soubesse de nada” sobre o escândalo envolvendo a nomeação de Mandelson.
DEMISSÃO DE ALTOS CARGOS DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES APÓS AS REVELAÇÕES SOBRE AS CREDENCIAIS DE MANDELSON
Por sua vez, o governo britânico tomou medidas após a nova polêmica envolvendo o ex-embaixador e demitiu um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores, Oliver Robbins, juntamente com outros dirigentes envolvidos no caso, segundo informaram a mídia britânica.
De acordo com diversas fontes citadas pelo “The Guardian”, a autorização para Mandelson foi negada em janeiro de 2025 após um exaustivo processo de investigação conduzido por uma divisão do gabinete do governo que avalia a idoneidade do candidato com base em vários parâmetros, como histórico profissional, antecedentes criminais ou suas conexões com atores estrangeiros.
Starmer já havia anunciado, naquela época, que Mandelson seria nomeado embaixador em Washington; por isso, segundo fontes do jornal, o Ministério das Relações Exteriores anulou a decisão de que ele não contava com essa aprovação e concedeu a autorização, apesar de não a ter concedido inicialmente.
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