Publicado 20/04/2026 12:35

Starmer considera "desconcertante" que lhe tenham ocultado informações essenciais sobre a nomeação de Mandelson

A oposição questiona Starmer por mentir ou dizer meias verdades sobre o processo

20 de abril de 2026, Reino Unido, Londres: Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, sai do número 10 de Downing Street para fazer uma declaração na Câmara dos Comuns, em meio a alegações de que ele teria induzido o Parlamento em erro quanto à nomea
Stefan Rousseau/PA Wire/dpa

MADRID, 20 abr. (EUROPA PRESS) -

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou nesta segunda-feira, perante a Câmara dos Comuns, como “desconcertante” o fato de funcionários do Ministério das Relações Exteriores terem ocultado dele que o ex-embaixador nos Estados Unidos, Peter Mandelson, investigado pelo caso Epstein, não havia sido aprovado em uma avaliação de segurança sobre seus antecedentes pessoais, financeiros e profissionais.

“Dada a gravidade do assunto e a importância da nomeação, não posso tolerar que os funcionários do Ministério das Relações Exteriores não me tenham informado sobre as recomendações de segurança, podendo, ao mesmo tempo, ter mantido a confidencialidade necessária exigida pelo processo de avaliação”, afirmou o primeiro-ministro britânico.

Nesse sentido, ele argumentou que “não existe nenhuma lei que impeça os funcionários públicos” de comunicar “com sensatez” essa questão para que os altos cargos “possam tomar decisões sobre as nomeações” e que, caso tivesse sabido anteriormente que não contava com a aprovação, não teria prosseguido com a nomeação.

“É incompreensível que, ao longo de todo o desenrolar dos acontecimentos, os funcionários do Ministério das Relações Exteriores tenham considerado oportuno ocultar essa informação aos ministros de mais alto escalão do nosso governo”, disse ele, reiterando que “não é assim que a grande maioria das pessoas espera que a política funcione”.

Starmer informou ainda que, no caso de uma nomeação ministerial “direta”, “o habitual” era que a avaliação fosse realizada após a nomeação, mas antes da posse no cargo. “Esse era o procedimento em vigor naquele momento”, afirmou.

A decisão de nomear Mandelson ocorreu em 18 de dezembro, embora a nomeação tenha sido anunciada dois dias depois e a avaliação tenha começado em 23 de dezembro, sendo realizada “da forma habitual” e incluindo duas entrevistas. “Depois de demitir Peter Mandelson, mudei esse processo para que agora não seja possível anunciar uma nomeação até que a avaliação tenha sido aprovada”, destacou Starmer.

A líder da oposição, Kemi Badenoch, questionou Starmer por mentir ou dizer meias verdades depois que ele afirmou em setembro perante a Câmara — poucos dias antes da demissão de Mandelson — que o “devido processo” havia sido seguido em sua nomeação, instando o primeiro-ministro a renunciar.

“Você não perguntou nada sobre a relação de Mandelson com Epstein. Não perguntou nada sobre o risco que Mandelson representava para a segurança. Ao que parece, você nem mesmo conversou com Peter Mandelson antes de sua nomeação. Não parece que você tenha feito qualquer pergunta. Por quê? Porque você não queria saber”, afirmou ela.

Em resposta, Starmer se defendeu, alegando que comentou perante a Câmara que havia cumprido as devidas diligências, mas aquelas realizadas pelo gabinete de seu ministro. “Não falei sobre a avaliação de segurança — a realizada pela Verificação de Segurança Nacional (NSV) — porque não tinha visto o arquivo relacionado a isso”, argumentou.

Um documento publicado nesta segunda-feira pela Sky News revela que o então secretário de gabinete Simon Case enviou uma carta ao primeiro-ministro aconselhando-o a realizar a avaliação de segurança antes de anunciar a nomeação.

“O senhor deveria nos fornecer o nome da pessoa que deseja nomear para que possamos elaborar um plano para que ela obtenha as autorizações de segurança necessárias e realizemos as devidas diligências sobre qualquer possível conflito de interesses ou outras questões que devamos conhecer antes de confirmar sua escolha”, diz a mensagem.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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