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O ministro das Finanças afirma que os ataques foram resultado de “um erro tático” e acusa Bennett de “trair conscientemente Israel” ao fazer um acordo com o Raam
MADRID, 5 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro das Finanças de Israel, o ultradireitista Bezalel Smotrich, protagonizou nesta terça-feira uma nova polêmica ao afirmar que a decisão do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett de liderar, em 2021, um governo que incluiu um partido árabe representou um erro “muito mais grave” do que as falhas de segurança durante os ataques de 7 de outubro de 2023, liderados pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e que deixaram cerca de 1.200 mortos e cerca de 250 sequestrados, segundo o balanço oficial.
Smotrich afirmou isso em entrevista concedida à emissora Rádio 103FM, na qual foi questionado sobre qual foi a maior calamidade: se o governo anterior — com a participação do partido árabe Raam — ou o dia 7 de outubro, respondendo que “certamente, a formação do governo com (o líder da referida formação) Mansur Abbas”.
Assim, ele afirmou que o dia 7 de outubro de 2023 foi “um erro tático” que deve ser investigado e ressaltou que, por outro lado, o acordo de coalizão foi algo meditado, conforme relatado pelo jornal ‘The Times of Israel’. “Alguém que conscientemente vendeu o Estado de Israel aos seus inimigos... é algo muito mais grave do que alguém que errou, falhou, fracassou”, explicou.
“Um político que mentiu, roubou, traiu seus valores, parceiros e promessas, e vendeu o país a apoiadores do terrorismo, assassinou a democracia e a confiança pública no sistema político e no sionismo, cometeu algo mil vezes mais grave do que o maior fracasso imaginável, que é um fracasso e não um ato deliberado”, reiterou Smotrich.
Smotrich não fez, no entanto, referência ao fato de que o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, também tentou chegar a um acordo de coalizão com o Raam, algo que, em parte, não foi possível justamente devido ao seu bloqueio para que o partido fizesse parte de uma coalizão entre direitistas e ultraortodoxos, o que o próprio Abbas não via com bons olhos.
As palavras do ministro provocaram uma enxurrada de condenações da oposição, começando por Bennett, que enfatizou que “qualquer um que descreva o massacre de 7 de outubro como ‘uma falha tática’ se junta à lista de pessoas que odeiam Israel e negam o massacre”.
Bennett assinalou em uma mensagem em vídeo que “Netanyahu, Smotrich e seu governo tentam com todas as suas forças fazer com que as pessoas esqueçam as atrocidades que ocorreram sob sua vigilância e total responsabilidade, como resultado de suas políticas fracassadas, pelas quais são responsáveis”, segundo o ‘The Times of Israel’.
“Quanto mais fracassam, mais incitam a hostilidade contra mim para apagar sua própria desgraça”, disse ele, antes de prometer que “aqueles que negam o massacre serão mandados” de volta para casa nas próximas eleições, após as quais “será criada uma comissão estadual de investigação” caso ele consiga obter a vitória.
Nessa linha, o líder do partido Os Democratas, Yair Golan, afirmou que, para Smotrich, “um massacre de israelenses é melhor do que um governo que não o inclua”. “É isso: a vida do governo é mais importante para ele do que a vida dos cidadãos”, argumentou.
Da mesma forma, o líder do Yashar, Gadi Eisenkot, acusou Smotrich de usar os ataques como “uma ferramenta em uma campanha descarada” para minimizar as falhas de segurança durante os ataques. “Se tivessem ouvido os avisos de profissionais experientes, mesmo um governo fracassado como o dele poderia ter evitado o desastre”, disse ele nas redes sociais.
CRÍTICAS DE PARTIDOS ÁRABES
Por sua vez, o líder do Raam destacou que Smotrich não respeita as vítimas nem as famílias e que suas palavras são “miseráveis” e “imorais”. “Mesmo em seu pior dia, o ‘Governo da Mudança’ (de Bennett) foi mil vezes melhor do que o ‘governo do desastre de 7 de outubro’ de Smotrich”, destacou.
“Para Smotrich, a vida humana não tem nenhum valor, assim como não tem para os extremistas fanáticos em qualquer outro lugar do mundo. Em breve, isso mudará”, afirmou.
Críticas essas às quais se juntou Ayman Odeh, presidente do partido de maioria árabe Hadash-Taal, que destacou que as palavras de Smotrich “não são importantes”, já que o importante é a postura da sociedade diante das eleições.
Odeh enfatizou que “os cidadãos árabes, juntamente com os judeus democratas, farão todo o possível, simplesmente todo o possível, para impedir que Smotrich, Netanyahu e Ben Gvir — em referência ao ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir — continuem em seus cargos por mais um mandato”.
Diante das críticas, Smotrich afirmou que suas palavras foram “deturpadas”. “A pergunta que me foi feita e à qual respondi é qual é o pior ato político: ir conscientemente para um governo com o Hamas — referindo-se por esse nome ao partido Raam — por sede de honra e poder, ou estar em um governo que testemunhou um terrível massacre diante de seus olhos, no qual o Hamas atacou Israel e assassinou milhares de pessoas”.
“Portanto, sim, entrar conscientemente em um governo com o Hamas enquanto se mente e se rouba votos é o ato político mais grave que a política israelense já conheceu”, reiterou ele, novamente referindo-se ao partido de Abbas pelo nome do grupo islâmico palestino, à frente da Faixa de Gaza, alvo de uma sangrenta ofensiva israelense em resposta ao 7 de outubro, que até hoje deixou mais de 72.600 mortos.
“O massacre perpetrado pelo Hamas é um dos mais terríveis que conhecemos desde o Holocausto, e não há nada que se compare a ele”, afirmou, antes de ressaltar que os meios de comunicação que “tentam tirar suas palavras do contexto e minimizar o massacre” são “mentirosos perversos”, sem que, até o momento, Netanyahu tenha se pronunciado sobre a polêmica.
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