Europa Press/Contacto/Ammar Safarjalani
MADRID 7 jul. (EUROPA PRESS) -
O presidente de transição da Síria, Ahmed al Shara, e o presidente da França, Emmanuel Macron, marcaram nesta terça-feira, em Damasco, o início de uma nova era nas relações bilaterais após a derrubada de Bashar al Assad, com a assinatura de vários acordos nas áreas de bancos, investimentos e infraestrutura, além do retorno dos embaixadores de ambos os países.
O líder sírio destacou a viagem de Macron como um “marco” que “coroa um caminho de trabalho conjunto, discreto e substancial”, ressaltando que se trata da primeira visita de um presidente francês em 18 anos, e apresentou a Síria, após a queda de Al Assad no final de 2024, como “um país que decidiu se reerguer e abrir espaço para aqueles que desejam construir ao seu lado”.
Nesse sentido, Al Shara se referiu a Damasco como “uma ponte indispensável que conecta o Oriente e o Ocidente”, insistindo no papel do país para a estabilidade mundial diante da crise desencadeada pela guerra no Irã e da situação no Estreito de Ormuz.
Diante disso, ele comemorou que os acordos com a França se baseiam em “projetos concretos” que beneficiam ambos os países e destacou que o pacote de acordos é “estratégico” e envolve “empresas francesas de destaque”, segundo declarações coletadas pela agência SANA.
Por sua vez, Macron enfatizou que a França apoiará uma Síria “livre e soberana”. “Acreditamos no retorno da Síria como um país situado no centro dos corredores energéticos regionais. Também temos interesse em apoiar a reabilitação das infraestruturas dos setores energético e comercial”, afirmou.
O presidente francês se mostrou aberto a reforçar a cooperação também nos setores de segurança, capacitação e fortalecimento de capacidades.
Nesse sentido, ele elogiou a luta contra o terrorismo conduzida pelas novas autoridades sírias. “A luta contra o terrorismo é difícil, e vocês a estão conduzindo com determinação. Estamos dispostos a prestar assistência e cooperar na área de segurança, especialmente no fortalecimento de capacidades, na formação e no desenvolvimento institucional”, ressaltou.
Como sinal desse novo capítulo nas relações, ambos os líderes anunciaram o retorno de seus embaixadores a Damasco e Paris, respectivamente, após um hiato de 12 anos sem representantes diplomáticos. Desde 2012, durante o mandato de Nicolas Sarkozy, a França não mantém embaixador em Damasco, uma retirada que ocorreu em meio à repressão violenta dos protestos contra Al Assad, que culminaram em uma longa guerra civil.
ASSINATURA DE ACORDOS
A visita à Síria, a primeira de um líder da União Europeia desde a queda de Al Assad, culminou com a assinatura de uma série de acordos de cooperação e memorandos de entendimento que abrangem áreas como investimentos, infraestrutura, transporte, saúde, setor bancário e desenvolvimento institucional.
Esses acordos incluem a ampliação da cooperação em diversos setores, como o desenvolvimento de instituições educacionais, médicas e universitárias na Síria, em um impulso ao setor de saúde no país.
Já na área de infraestruturas, destaca-se um contrato para o desenvolvimento do porto de Latakia, assinado há mais de um ano, ao qual se seguiu uma nova injeção de 200 milhões para aumentar a capacidade do porto.
As instituições sírias enfatizaram que o “roteiro” da reconstrução abrange a modernização de aeroportos, a exploração de recursos energéticos em suas águas territoriais, melhorias na infraestrutura elétrica e hídrica e o desenvolvimento de hospitais, entre outras áreas.
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