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MADRID 18 ago. (EUROPA PRESS) -
A Comissão para Pessoas Desaparecidas na Síria estimou nesta segunda-feira que mais de 300 mil pessoas desapareceram desde a década de 1970, quando a família Al Assad assumiu o poder, até os dias atuais, quando um sistema de justiça transicional foi criado pelas autoridades instaladas no país.
O presidente da comissão, Mohamad Rada Jaljani, disse à agência de notícias SANA que as estimativas atuais do número de pessoas desaparecidas variam de 120.000 a 300.000, "mas o número real pode ser muito maior", porque há vários fatores que complicam o processo de inventário.
Entre os motivos que afetam o processo, ele citou a falta de denúncia por parte de algumas famílias por motivos de segurança ou políticos, e a presença de pessoas desaparecidas nas mãos de entidades ligadas ao antigo regime, que não possuem documentos sobre elas.
Jalji revelou que a comissão tem atualmente um mapa com mais de 63 valas comuns documentadas, mas explicou que quase diariamente chegam informações sobre outros locais que ainda não foram verificados.
Em uma entrevista, ele descreveu o trabalho da comissão como "fundamental para o processo de justiça transicional e, portanto, para a conquista da paz civil na Síria", razão pela qual ele pediu a cooperação de instituições, organizações civis, famílias e mecanismos internacionais.
As autoridades instaladas na Síria após a derrubada do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, após uma ofensiva de jihadistas e rebeldes, começaram a estabelecer um sistema de justiça transicional que foi criticado por seu mandato limitado, o que prejudica as chances de responsabilização e compensação das vítimas.
A presidência síria, ocupada pelo líder do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS), Ahmed al Shara - anteriormente conhecido pelo seu nome de guerra, Abu Mohamed al Golani - revelou em 18 de maio a criação de comissões de justiça e de pessoas desaparecidas para julgar os crimes cometidos durante o regime de al Assad.
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