Publicado 01/09/2026 09:22

A Síria defende uma “solução diplomática” com Israel, apesar de seus repetidos ataques contra o país

Archivo - Arquivo - O ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al Shaibani, participa da IX Conferência de Doadores da Síria
Frederic Garrido-Ramirez/EU Coun / DPA - Arquivo

A Dinamarca reabre sua Embaixada em Damasco após quatorze anos fechada e anuncia um pacote de ajuda econômica à Síria

MADRID, 1 set. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al Shaibani, destacou nesta terça-feira a disposição de Damasco de trabalhar por uma “solução diplomática” com Israel, apesar dos repetidos ataques das forças israelenses contra o país nos últimos meses, na sequência da queda, em dezembro de 2024, do regime de Bashar al Assad.

Assim, ele denunciou que “Israel continua sua agressão ao território sírio” e afirmou que as tropas israelenses “detiveram” cerca de 150 pessoas na Síria desde o início do ano, ao mesmo tempo em que lembrou que diversas autoridades israelenses prometeram que suas forças não se retirarão do estratégico Monte Hermón, tomado após a fuga de Al Assad.

“Consideramos isso uma declaração explícita de intenções para consolidar a ocupação, o que compromete qualquer suposta justificativa de segurança. Apesar desses desafios, mantemos nosso compromisso de buscar uma solução diplomática e trabalhamos diligentemente para alcançar esse objetivo”, afirmou, segundo informou a agência de notícias estatal síria, SANA.

Al Shaibani enfatizou que Damasco “permanece firme em suas exigências pela aplicação total do Acordo de Separação de Forças de 1974, pela afirmação da soberania da Síria sobre as Alturas do Golã ocupadas e pelo direito soberano de formar um Exército nacional”, tudo isso rejeitado por Israel, que continua realizando operações de rotina na Síria, onde mantém tropas posicionadas.

Israel e a Síria realizaram várias rodadas de negociações, incluindo uma na Jordânia, embora as tropas israelenses tenham continuado com suas incursões e bombardeios, entre eles um lançado em agosto contra uma base militar, alegando que nela havia tropas da Turquia — o que foi desmentido por Ancara. Os Estados Unidos criticaram seu aliado por essa ação.

As declarações de Al Shaibani ocorreram em uma coletiva de imprensa conjunta em Damasco com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, que se deslocou ao país para reabrir a Embaixada dinamarquesa, fechada há quatorze anos devido à guerra civil que assolou o país asiático.

O chefe da diplomacia síria destacou, em uma mensagem nas redes sociais, que essa decisão de Copenhague é “um passo significativo” no desenvolvimento das relações bilaterais e “um sinal positivo do compromisso renovado da Síria com seus parceiros europeus”.

Por sua vez, Rasmussen destacou que a Dinamarca “é um dos primeiros países da União Europeia (UE) a reabrir a Embaixada na Síria após a queda do regime de Al Assad, com um embaixador designado”. “Fazemos isso para poder influenciar melhor a evolução da situação na Síria e contribuir para a reconstrução do país”, argumentou.

“A reabertura também facilitará o fortalecimento das relações diplomáticas com o governo de transição e a cooperação em matéria de repatriação voluntária e deportações forçadas de sírios sem residência legal na Dinamarca”, explicou, ao mesmo tempo em que anunciou um pacote de ajuda a Damasco no valor de 489 milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 65,4 milhões de euros).

“Com esses recursos adicionais, planejamos fortalecer a reconstrução da Síria para que os inúmeros refugiados e deslocados internos tenham um futuro ao qual possam retornar”, destacou o chefe da diplomacia dinamarquesa, de acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Nesse sentido, ele aprofundou que “as prioridades e os interesses dinamarqueses na Síria são claros e coincidem com os de muitos outros países europeus”. “Apoiamos uma transição política inclusiva e a reconstrução da Síria, e estamos estabelecendo cooperação em matéria de migração e repatriação forçada de sírios que não têm direito de residir, por exemplo, na Dinamarca”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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