MADRID 5 jul. (EUROPA PRESS) -
O Ministério da Justiça da Síria iniciou neste sábado processos judiciais contra várias pessoas acusadas de estarem envolvidas no massacre de Sueida, cidade de maioria drusa no sudoeste do país, que deixou mais de 1.760 mortos há quase um ano. Essa medida representa a fase final da transição do processo de investigação para a prestação de contas.
“O encaminhamento desses casos ao judiciário competente e o início dos julgamentos públicos representam a transição da investigação dos fatos para a prestação de contas judicial”, afirmou Amar Ezzedin, porta-voz do Comitê Nacional de Investigação, em declarações divulgadas pela agência de notícias estatal SANA.
Ezzedin acrescentou que a justiça só pode ser alcançada por meio de um poder judiciário independente que garanta a todas as partes seus direitos legais e exija responsabilização dos culpados com base nas provas e na lei.
Dessa forma, ele indicou que o processo visa salvaguardar os direitos das vítimas e de suas famílias, reforçar a igualdade perante a lei, proteger os direitos humanos e defender a dignidade de todos os cidadãos. O comitê coopera atualmente com o Ministério e as autoridades judiciais competentes, fornecendo assim os documentos e as provas necessárias para apoiar o processo judicial e fortalecer o Estado de Direito.
Segundo o comitê, criado em 31 de julho do ano passado, foram compilados 769 autos com depoimentos de 213 testemunhas, 437 vítimas e familiares, bem como representantes de diversas comunidades. Além disso, foram registrados 1.760 mortos e 2.188 feridos entre todos os grupos, e os feridos receberam atendimento em hospitais de Sueida, Izra e Damasco, além das vítimas pertencentes a grupos tribais e unidades militares.
Dessa forma, o governo sírio acelera um processo que estava se arrastando e que, por isso, gerava críticas da comunidade internacional. Em março, a União Europeia instou o governo de al Shara a aplicar de forma “rápida e transparente” as recomendações do relatório da Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU, que denunciava a falta de prestação de contas.
O conflito surgiu em julho de 2025, quando a cidade de Sueida foi palco de um dos episódios de violência mais sangrentos e devastadores da história recente do país, ocorrido poucos meses após a queda do regime de Bashar al-Assad. O que começou como um confronto entre as comunidades drusa e beduína logo se transformou em uma espiral de violência na qual intervieram as forças de segurança do governo de transição e combatentes tribais, até que o cessar-fogo no final daquele mês pôs fim ao conflito.
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