Europa Press/Contacto/Syrian Presidency
MADRID, 28 ago. (EUROPA PRESS) -
As autoridades instaladas na Síria após a queda, em dezembro de 2024, do regime de Bashar al Assad aprovaram oficialmente a introdução do curdo no sistema educacional das regiões de maioria curda para o próximo ano letivo, tornando-a uma disciplina obrigatória que será ministrada três vezes por semana, embora isso ponha fim ao ensino exclusivamente em curdo nessas instituições.
O Ministério da Educação sírio indicou em um comunicado nas redes sociais que a decisão se insere em um decreto aprovado este ano para “salvaguardar os direitos culturais e linguísticos” e “promover a diversidade no âmbito de uma identidade nacional síria inclusiva”, em consonância com o acordo de reintegração com as autoridades curdas semiautônomas.
Assim, destacou que o objetivo é “estabelecer mecanismos operacionais para garantir a aplicação das cláusulas do decreto”, incluindo “o ensino da língua curda como língua nacional, tanto em escolas públicas quanto privadas, em áreas onde os cidadãos curdos constituam uma porcentagem significativa da população”.
“A língua curda será ensinada em todos os níveis de ensino e faz parte do currículo aprovado”, especificou ele, ao mesmo tempo em que detalhou que haverá aulas de curdo três dias por semana. “Os alunos estudarão curdo, juntamente com o árabe e o inglês, e a nota deverá ser incluída nas notas finais, de acordo com os procedimentos estabelecidos”, ressaltou.
Nesse sentido, destacou que haverá também “uma aula por semana” dedicada a temas relacionados à cultura curda, acrescentando que, “para facilitar a transição”, durante este primeiro ano letivo os alunos poderão cursar algumas disciplinas “em árabe ou em curdo”.
No que diz respeito ao corpo docente, o Ministério da Educação esclareceu que as autoridades deverão disponibilizar os professores necessários “para o ensino da língua curda, seja entre o corpo docente existente ou externo”, para o que será necessário “possuir um diploma universitário ou um certificado de um instituto de formação de professores e ter domínio da língua curda”.
A maioria das disciplinas tem sido ministrada em curdo nas áreas administradas pelas autoridades semiautônomas da região de Rojava nos últimos 15 anos, no âmbito de seu controle sobre a região, em meio à guerra civil desencadeada em 2011 pela repressão das autoridades de Al Assad contra os protestos pró-democracia na esteira da “Primavera Árabe”.
O anúncio de Damasco ocorreu poucos dias depois de o chefe das Forças Democráticas Sírias (FDS) ——braço armado das autoridades curdo-sírias—, Mazloum Abdi, como parte do acordo de integração assinado no final de janeiro com o atual presidente sírio, Ahmed al Shara, que era líder do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS) até a queda do regime de Al Assad.
O acordo de integração, mediado pelos Estados Unidos, foi assinado em 29 de janeiro por Al Shara e Abdi, após dias de combates decorrentes de uma nova ofensiva das forças de segurança contra as tropas curdas no norte e nordeste do país, de maioria curda.
A questão era uma das mais espinhosas devido às divergências entre as partes sobre como essa integração deveria ser realizada, em meio a apelos de Washington em favor de Damasco e à sua exigência de manter o controle de todo o território e evitar qualquer tipo de autonomia nas mãos das autoridades curdas.
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