Representantes da polícia vão apresentar uma denúncia contra o Estado devido à insegurança decorrente da falta de instruções claras
MADRID, 15 out. (EUROPA PRESS) -
Os representantes de organizações estudantis francesas têm prevista uma nova reunião com o governo para discutir as reivindicações que motivaram as mobilizações e os bloqueios em escolas de ensino médio nas últimas semanas. A reunião, que constitui o terceiro encontro desse tipo, será realizada na sede do Ministério da Educação, em Paris, e contará com a participação do ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, e de seu homólogo da Educação Superior, Philippe Baptiste.
O encontro ocorre depois que as organizações Les Lycéens! e Union syndicale lycéenne (USL) manifestaram sua insatisfação com a reunião anterior, realizada na última quinta-feira, e exigiram a continuidade das medidas propostas, informou o jornal francês “Le Figaro”.
Os representantes estudantis esperam obter compromissos concretos em questões relacionadas ao funcionamento das escolas, ao transporte escolar, aos horários letivos e à plataforma de acesso à universidade Parcoursup. Foi o que transmitiu o representante da Les Lycéens!, Pierre Sourzat, que expressou seu descontentamento com a falta de respostas satisfatórias até o momento.
“Esperamos medidas concretas em relação ao Parcoursup (a plataforma de admissão à universidade), aos prédios escolares e aos horários”, reiterou Sourzat, em declarações coletadas pela France Info, nas quais também lamentou que, até o momento, tenham obtido apenas “migalhas”.
Geffray tem previsto deslocar-se durante a manhã à região metropolitana de Bordeaux antes de dar continuidade à sua agenda institucional. O encontro com os representantes estudantis insere-se nos esforços do Executivo francês para amenizar a tensão gerada pelas mobilizações, coincidindo com a proximidade do feriado de Todos os Santos.
A magnitude dos incidentes associados aos bloqueios de escolas também se reflete no balanço judicial divulgado pelo Ministério da Justiça francês. De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pela equipe do ministro Gérald Darmanin e reproduzidos pela imprensa francesa, as autoridades haviam detido 7.950 pessoas desde o início do movimento, das quais 6.773 seriam menores de idade e 1.177 adultos. Os adolescentes representariam, portanto, aproximadamente entre 80% e 85% do total dos detidos.
SINDICATO DA POLÍCIA ANUNCIA AÇÕES JUDICIAIS
Paralelamente, o sindicato policial Alliance Police Nationale anunciou que apresentará uma denúncia contra o Estado por supostamente colocar em risco a vida de outras pessoas. A organização afirma que os policiais mobilizados durante os incidentes tiveram que enfrentar situações de violência sem dispor de instruções suficientemente claras e coerentes por parte de seus superiores.
Em um comunicado divulgado nas redes sociais, o sindicato questionou a discrepância entre o discurso público das autoridades e as diretrizes que, segundo a denúncia, os policiais recebem no campo de ação.
No texto divulgado pela Alliance, o sindicato descreve ainda uma situação de desproteção dos policiais e denuncia a existência de discrepâncias entre as declarações públicas do ministro do Interior, Laurent Nuñez, e as orientações transmitidas pela cadeia de comando policial.
“Após a empatia demonstrada em relação aos manifestantes e a abordagem educativa do chefe de Estado, agora recebemos instruções vagas, ordens contraditórias e retórica vazia”, afirmou a organização.
A organização exige que se esclareça como as instruções foram transmitidas, quem foram os responsáveis por transmiti-las e quais autoridades devem responder pelas possíveis contradições. Além disso, exige que sejam analisadas as decisões adotadas pelos diferentes níveis da Administração para determinar se a segurança dos policiais mobilizados foi colocada em risco.
“Os policiais não serão nem os escudos de uma comunicação política, nem os bodes expiatórios de uma administração que se recusa a assumir suas decisões”, sustenta o sindicato em seu comunicado.
A Alliance considera que a denúncia permitirá que os fatos sejam analisados e que as responsabilidades correspondentes sejam estabelecidas. Nesse sentido, a organização insistiu que não aceitará que os policiais fiquem expostos a possíveis consequências decorrentes de decisões que, em sua opinião, não foram explicadas nem assumidas adequadamente por seus responsáveis políticos e administrativos.
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