Matias Chiofalo - Europa Press
A organização afirma que já está trabalhando com sindicatos, que estão “totalmente de acordo” com a greve geral
MADRID, 3 out. (EUROPA PRESS) -
A porta-voz do Sindicato das Inquilinas de Madri, Valeria Racu, afirmou neste sábado que prevê que a greve geral pela moradia ocorra “em breve” e alertou que, “seja quem for que governe”, não vão tolerar mais quatro anos sem resolver o maior problema do país, pois “agora sim começa a legislatura da habitação”.
Em declarações à imprensa, a porta-voz confirmou a ideia de realizar uma greve geral após o Congresso ter rejeitado os decretos sobre moradia e confirmou que está mantendo conversas com os principais sindicatos trabalhistas para essa iniciativa, com a qual, segundo Racu, eles estão “totalmente de acordo”.
Sobre as possíveis datas, a porta-voz afirmou que, embora a organização comece “hoje mesmo”, ainda não detalhou nenhuma data específica, pois ainda se está chegando a um acordo com as demais organizações para organizá-la de forma que seja “histórica” e com uma participação “como não se via há anos”.
“A greve geral ainda não tem data (...) precisa ser um consenso entre todos os sindicatos e estamos trabalhando nisso, mas posso dizer que certamente será em breve”, destacou ela em declarações à imprensa.
Nesse sentido, Racu destacou a greve geral como uma “ferramenta histórica” para transformar a realidade, lembrando que “é graças a ela que existem jornadas de trabalho de oito horas ou o sufrágio universal”.
UM CONGRESSO “SEQUESTRADO PELO RENTISMO”
Em suas declarações, Racu denunciou que o Congresso está “sequestrado pelo rentismo” e totalmente desconectado da maioria social, pois, segundo a porta-voz, há um consenso entre a população de que o rentismo “é uma praga” com a qual é preciso “acabar”.
A porta-voz destacou que as manifestações demonstraram que “o poder volta às ruas” e alertou que “isso é um aviso a todos”. “Não importa quem governe, não vamos tolerar mais quatro anos sem resolver o maior problema deste país”, reforçou.
Em seguida, a porta-voz garantiu que, graças à greve geral, será possível “expulsar do país o rentismo, a especulação, os investimentos imobiliários e os fundos abutres”.
Racu identificou os “verdadeiros invasores” como “os investidores; não são os migrantes, nem as pessoas trans. São os jovens ou os aposentados que vivem às nossas custas, são eles que usam nossa vida para fazer negócios”.
CONTINUIDADE DOS ACAMPAMENTOS
A porta-voz defendeu a continuidade dos acampamentos, ressaltando que o que ocorre na Praça do Sol, em Madri, já vai “muito além” do despejo de Maricarmen e do próprio Sindicato das Inquilinas, já que se espalhou para “muitas outras praças” do país e garantiu que “isso vai continuar”. Assim, Racu limitou-se a dizer que o acampamento, por meio de sua assembleia geral, decidirá “dia a dia” se permanecerá ou não.
Por fim, Racu alertou a Prefeitura de Madri que, se ela acha que com “violência policial” vai acabar com o acampamento, é porque não entende “o que está acontecendo”.
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