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MADRID 22 maio (EUROPA PRESS) -
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, saiu nesta sexta-feira em defesa dos ex-presidentes de Cuba, Raúl Castro, e da Bolívia, Evo Morales, questionando os processos judiciais contra eles e relembrando os antecedentes “históricos” de interferência dos Estados Unidos.
“Que sentido faz acusar uma pessoa por algo que aconteceu há 30 anos?”, questionou ela, em alusão às acusações apresentadas esta semana pela Procuradoria dos Estados Unidos contra Raúl Castro pelo abate de dois aviões de um grupo opositor que violaram o espaço aéreo cubano em 1996, matando quatro pessoas.
“Historicamente, tem havido uma visão intervencionista dos Estados Unidos”, observou Sheinbaum, ressaltando que Washington sempre utilizou a desculpa do tráfico de drogas para realizar operações na região, conforme reconhecido por alguns de seus funcionários, como é o caso do ex-embaixador no México John Gavin.
Sheinbaum reiterou que, no que lhes diz respeito, o México está disposto a colaborar com os Estados Unidos, mas sem colocar em risco sua soberania. “Não queremos brigar com eles e, até agora, em muitas áreas, eles têm sido respeitosos”, destacou, ressaltando que essa “outra intenção” de Washington é “histórica”.
Em relação ao ex-presidente da Bolívia, Sheinbaum lembrou que ele já era acusado de tráfico de drogas quando se candidatou às eleições “por ser um líder indígena de uma zona de produção de folha de coca, não de cocaína”, esclareceu nesta sexta-feira, durante sua habitual coletiva de imprensa matinal.
Sheinbaum aproveitou para defender a gestão de Morales na Bolívia, sob cujo mandato o país obteve os melhores resultados econômicos de sua história recente, reduziu a pobreza, aumentou o nível de vida de seus cidadãos e alcançou maior controle sobre seus recursos naturais.
Atualmente, o ex-presidente Morales encontra-se entrincheirado na região cocalera de Chapare, em pleno Trópico de Cochabamba, bem protegido por seus seguidores, e sem dar ouvidos às diversas intimações judiciais por um caso de suposto tráfico de pessoas devido ao relacionamento que manteve com uma menor de idade no final de seu mandato, fruto do qual nasceu uma menina.
A forte adesão de que Morales goza nessa parte do país tem impedido, até agora, que as autoridades realizem qualquer tipo de operação para detê-lo, por receio de que ocorram graves distúrbios, apesar de o novo governo — envolvido em uma grave crise social — ter declarado isso como seu objetivo.
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