Publicado 24/03/2026 12:34

Sheinbaum reconhece o gesto do rei, mas pede que se siga em frente: "O que o perdão representa é importante"

Archivo - Arquivo - 5 de março de 2025, México, Cidade do México: A presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, realiza uma coletiva de imprensa no Palácio Nacional, onde se pronuncia sobre as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald
Carlos Santiago/eyepix via ZUMA / DPA - Arquivo

MADRID 24 mar. (EUROPA PRESS) -

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reconheceu nesta terça-feira que o passo dado pelo rei Felipe para reconhecer os abusos da Conquista representa “um avanço”, embora tenha destacado que é preciso “seguir em frente” nessa direção e ressaltar a importância que teria um pedido de desculpas oficial.

“Embora se pudesse ter desejado mais, é um avanço”, afirmou a presidente mexicana em sua coletiva de imprensa diária no Palácio Nacional, na qual avaliou que “foi dado um passo” e instou a “seguir em frente”.

Ao ser questionada se o México espera mais um passo e que o monarca peça desculpas pelos excessos da Conquista, ela indicou que “é importante o que significa o perdão”, embora, de qualquer forma, tenha sublinhado que Felipe VI “acertou” ao reconhecer que ocorreram abusos no período da Conquista, apesar das Leis das Índias adotadas pelos Reis Católicos.

Sheinbaum reivindicou o pedido feito pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador em 2019, em uma carta ao rei Felipe, solicitando que ele se desculpasse, garantindo que, sem essa iniciativa aberta “em toda a sua amplitude”, o assunto “continuaria escondido debaixo do tapete”.

“É preciso dizer: houve abusos e isso não está certo. Como já foi dito, é claro que temos de continuar avançando nessa visão, porque é a dignidade do povo do México, é a nossa história”, enfatizou.

A líder de esquerda defendeu as “muitas relações” que o México mantém com o povo espanhol e lembrou que o país demonstrou solidariedade com a República Espanhola, “como nenhum outro povo”, insistindo que abriu as portas para “crianças órfãs, ou cujos pais e mães eram perseguidos pela (ditadura) de Franco e decidiram enviar seus filhos”.

Embora tenha assinalado que o México é “diferente desde a chegada dos espanhóis”, ela denunciou que, durante anos, se espalhou a visão, em sua opinião, de que as populações nativas eram “bárbaras” e “se dedicavam à antropofagia e aos sacrifícios”.

CRÍTICAS DE DÍAZ AYUSO

Em relação às críticas da presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, que misturou a violência no país com os pedidos de perdão pela Conquista, Sheinbaum atribuiu esses comentários ao fato de que sua visão é “imperialista” e de que ela é assessorada pelo ex-presidente de direita Felipe Calderón.

“Ela é ideológica, sua postura é ideológica contra nós. Eles estão aliados a Felipe Calderón e à direita mexicana lá. O que esperam que digam? Que neguem a história? Bem, o próprio rei da Espanha já reconheceu que houve abusos durante esse período”, destacou após ser questionada sobre as últimas críticas de Ayuso.

Assim, ela criticou o fato de que, diante da posição do rei Felipe, a presidente da Comunidade de Madri não dê o passo de reconhecer os abusos durante a Conquista espanhola. “Como ela vai reconhecer isso? Pois, pelo contrário, sua visão é de império, assim como a de Felipe Calderón”, argumentou.

Ayuso vem defendendo que a Espanha deve estar “profundamente orgulhosa” de seu legado no México, insistindo que levou “uma forma civilizada de ver a vida por meio das missões, das universidades, dos hospitais e também de importantes infraestruturas que ainda hoje estão de pé”.

Em uma mensagem que voltou a gerar polêmica, ela voltou a criticar as autoridades mexicanas por exigirem um pedido de perdão pela Conquista. “A segurança no México está pior do que nunca e nós exigindo desculpas da Espanha”, afirmou a líder madrilenha, fazendo referência a uma entrevista na TVE com o historiador mexicano Juan Miguel Zunzunegui, defensor da tese de que a Espanha não deve pedir perdão pela Conquista.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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