MADRID 24 maio (EUROPA PRESS) -
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta sexta-feira que vê com bons olhos a iniciativa, apresentada pelo deputado Ricardo Monreal, que permitiria a possibilidade de se declarar a nulidade de eleições caso fosse comprovada interferência estrangeira, argumentando que no país “quem decide é o povo”.
“Ricardo Monreal me enviou uma nota dizendo que estava propondo isso, perguntando o que eu achava, porque depois acham que estamos lá. Essa foi uma iniciativa dele e, na verdade, me parece bem. Acho que é uma boa iniciativa porque, no México, quem decide são os mexicanos”, afirmou a mandatária mexicana.
A proposta legislativa apresentada por Monreal contempla um pacote de duas iniciativas: a primeira visa alterar o artigo 41 da Constituição para estabelecer a intervenção estrangeira como um novo motivo de nulidade eleitoral, enquanto a segunda reforma a Lei Geral do Sistema de Recursos em Matéria Eleitoral para aplicar tal motivo tanto à votação nas seções eleitorais quanto às eleições federais e locais.
“O que essa iniciativa faz é dizer ‘vamos ver, se for comprovada a interferência de terceiros nas eleições, que seja para o INE ou para o Tribunal (Eleitoral) uma questão de nulidade da eleição’. Então, eu acho que está certo. Aqui quem decide somos nós, refiro-me ao povo do México”, declarou.
Essas medidas parlamentares surgem depois que a presidente denunciou que assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentaram influenciar decisões internas do México com fins eleitorais. Durante uma coletiva de imprensa na última quinta-feira, a mandatária afirmou que o país deve permanecer vigilante diante de qualquer tentativa de intervenção e reiterou que “o México não é piñata de ninguém”.
“Temos que estar muito atentos até onde alguns querem intervir, porque não se pode dizer que são os Estados Unidos, pois não acredito nisso. Na verdade, nem mesmo, pessoalmente, acredito que seja o presidente; são alguns que o assessoram, que estão lá, que, como têm eleições em novembro, agora querem envolver o México nas eleições de novembro com uma visão muito eleitoreira de alguns poucos.”
As declarações foram feitas em meio a acusações cruzadas entre diversas forças políticas e após a recente entrega voluntária à justiça norte-americana dos ex-funcionários de Sinaloa Enrique Díaz Vega e Gerardo Mérida Sánchez.
Ambos fazem parte de um grupo de dez pessoas apontadas pelo governo dos Estados Unidos por supostas ligações com o Cartel de Sinaloa, lista na qual também figura o governador afastado, Rubén Rocha Moya.
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