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MADRID 1 jun. (EUROPA PRESS) -
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, acusou o governo dos Estados Unidos de se intrometer nos assuntos internos do país para influenciar as próximas eleições de 2027, após as acusações contra funcionários mexicanos e a revelação da presença de agentes norte-americanos em operações em Chihuahua.
“Quando se determina de fora quem é culpado e quem não é, quando se tenta pressionar nossas instituições de fora, quando se normaliza a ideia de que outro país pode intervir em assuntos que dizem respeito apenas aos mexicanos, já não estamos falando de cooperação, estamos falando de ingerência”, afirmou.
Sheinbaum se manifestou assim neste domingo em um comício lotado para comemorar o segundo aniversário de sua vitória eleitoral, que reuniu milhares de pessoas no Monumento à Revolução, na Cidade do México. “Temos sido alvo de uma ofensiva midiática e de campanhas nas redes sociais”, alertou.
“O México não é piñata de ninguém”, afirmou Sheinbaum, que em outro momento de seu discurso questionou o interesse demonstrado pelos Estados Unidos na extradição de uma dezena de funcionários mexicanos, acusados de crimes de tráfico de drogas, entre eles o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, que foi afastado do cargo à medida que as investigações avançavam.
“Quem decide no México, as agências estrangeiras ou o povo?”, questionou a presidente, exortando toda a cidadania a defender a soberania nacional e as políticas do governo diante das novas formas de desestabilização, como a desinformação ou as campanhas midiáticas.
“Não se trata de negar a liberdade de expressão, essa liberdade é um pilar inalienável de toda democracia, mas por trás de contas pagas e robôs articulam-se os interesses estrangeiros e nacionais que buscam recuperar privilégios perdidos ou frear a transformação”, explicou ela.
Essa campanha, assinalou a presidente mexicana, intensificou-se depois que foi revelada, no final de abril, a presença de agentes norte-americanos em uma operação estadual em Chihuahua, que resultou na morte de duas dessas pessoas em um acidente de trânsito, e sobre a qual já foi aberta uma investigação.
"Nenhum agente estrangeiro pode realizar tarefas que competem exclusivamente às autoridades mexicanas", lembrou Sheinbaum, que continuou a manifestar sua indignação ao expor que "poucos dias depois", Washington exigiu a prisão de uma dezena de funcionários mexicanos "sem apresentar publicamente provas".
“Um fato dessa magnitude não tem precedentes na história de nossas relações bilaterais”, disse a líder mexicana, que voltou a enfatizar que seu país está aberto a colaborar com os Estados Unidos em matéria de segurança e combate ao narcotráfico, desde que sua soberania nacional não seja questionada.
“Para nos ajudar a diminuir a violência no México, é indispensável deter o tráfico de armas, e é fundamental que eles enfrentem o grave problema do consumo de drogas em seu território. Assim como agimos no nosso, eles também devem romper as cadeias de distribuição de drogas e a lavagem de dinheiro que ocorre nos Estados Unidos”, destacou a presidente mexicana.
Embora esse tipo de advertência tenha sido uma constante nos últimos anos, desde que o partido Morena governa no México, esses dois últimos episódios nas relações com os Estados Unidos intensificaram o debate sobre as manobras que o vizinho do norte poderia estar realizando nos bastidores para influenciar as eleições de 2027, para as quais o partido no poder é favorito.
Na semana passada, o Congresso aprovou, com os votos do governo e de seus aliados, uma reforma da Constituição para anular eleições federais e estaduais que tenham sido de alguma forma interferidas por agentes estrangeiros, desde que seja possível comprovar com provas irrefutáveis que tal ocorreu.
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