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MADRID 17 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente de transição da Síria, Ahmed al Shara, denunciou a dificuldade em chegar a um acordo de segurança com Israel, após este ter ocupado partes da Síria durante a instabilidade no país no final de 2024, com a ofensiva do grupo jihadista Hayat Tahir al Sham (HTS), que acabou por derrubar o então presidente Bashar al Assad.
Em entrevista à agência Anatolia, durante sua visita à Turquia, Al Shara defendeu que sua política se concentra no desenvolvimento e na reconstrução e “isso requer estabilidade”, algo que ele lamenta que Israel não respeite com seus ataques e posições em território sírio.
“Israel respondeu à Síria com grande brutalidade, atacando vários pontos do país, violando sua soberania e ocupando partes do território adjacente aos já ocupados Altos do Golã”, afirmou o presidente sírio sobre o território estratégico arrebatado à Síria durante a Guerra dos Seis Dias em 1967.
Nesse sentido, ele defendeu que Damasco optou pela “via diplomática” e está trabalhando para que, por meio da comunidade internacional, “evite uma escalada ainda maior”. “Especialmente após o enorme desgaste sofrido pelo povo sírio nos últimos 14 anos”, ressaltou, referindo-se à guerra civil síria após a revolta contra Al Assad.
Dessa forma, reiterou que a Síria busca um acordo de segurança negociado com Israel que ponha fim a essa situação. “Estamos seriamente comprometidos em alcançar um acordo de segurança que preserve a estabilidade regional”, acrescentou, para indicar que as negociações “avançam com grande dificuldade” devido ao fato de Israel não renunciar a manter “uma presença em solo sírio”.
Al Shara também se pronunciou sobre a situação no Líbano, onde Israel atacou Beirute e o sul do país alegando sua luta contra a milícia xiita do Hezbollah, enfatizando que “existem muitas outras soluções que não envolvem atacar diretamente edifícios e infraestruturas”.
“O Líbano não pode suportar um conflito dessa magnitude. Vincular esses acontecimentos ao sul da Síria representa uma grande ameaça à segurança regional, não apenas para a Síria”, alertou o presidente interino sírio.
Al Shara liderou, no final de 2024, a ofensiva final que acabou derrubando Al Assad e pôs fim a meio século de controle familiar sobre o país. Desde então, Israel atacou a Síria várias vezes sob o argumento de que lá continuam operando células pertencentes às milícias palestinas do Hamas ou da Jihad Islâmica. No entanto, o presidente sírio não foi além de uma denúncia verbal.
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