MADRID, 22 jun. (EUROPA PRESS) -
Os setores do PP consultados pela Europa Press consideram que é necessário "esclarecer" alguns aspectos do novo modelo de primárias que inclui os Estatutos que o partido aprovará em seu XXI Congresso em julho e esperam aproveitar o processo de emendas para esclarecer o texto. Essa abordagem está de acordo com a apresentada pelo PP de Madri, de Isabel Díaz Ayuso, que compartilha o espírito da reforma, mas acredita que algumas questões precisam ser "especificadas".
Os afiliados do PP têm até quarta-feira, 25 de junho, para alterar os dois relatórios que o partido votará em seu conclave: os Estatutos e o Político. No último congresso ordinário, em 2017, sob a presidência de Mariano Rajoy, houve uma enxurrada de emendas - mais de 4.000 - embora naquela época houvesse quatro documentos em comparação com os dois atuais.
As fontes consultadas presumem que haverá uma bateria de emendas dedicadas ao ajuste fino do novo sistema, uma vez que, como elas apontam, foram feitas diferentes interpretações. A técnica legislativa é um pouco deficiente", diz um veterano líder "popular", que adverte que, se não for melhor especificada, poderá gerar "muitos problemas" nos próximos conclaves provinciais e regionais.
O PP EM MADRID ESTÁ ANALISANDO O TEXTO
O PP de Madri, presidido por Ayuso, compartilha o espírito da reforma das "primárias" porque entende que, se os membros continuarem a votar no presidente, isso significa "respeitar" o modelo de "um membro, um voto".
No entanto, fontes dos "populares" de Madri consideram necessários ajustes no modelo. Assim, indicaram à Europa Press que estão "analisando" o texto porque consideram que há questões que "devem ser especificadas para garantir que essa reforma cumpra seu objetivo".
Há duas semanas, a presidente da Comunidade de Madri advertiu em uma entrevista ao ABC que fará "as propostas necessárias para garantir que 'um membro, um voto' seja cumprido em toda a Espanha". Agora resta saber se o PP de Madri finalmente registrará emendas concretas ao novo modelo primário.
O QUE DIZ O TEXTO DO RELATÓRIO
O texto dos Estatutos afirma textualmente que a eleição do presidente do PP "será realizada no congresso do partido por meio de delegados eleitos em listas abertas" e acrescenta que, para ser proclamado candidato à presidência nacional, "será necessário apresentar o apoio de pelo menos 500 membros". Além disso, indica que esses apoios "devem vir de um mínimo de vinte e cinco províncias diferentes", enquanto as regras internas atuais exigiam apenas um mínimo de 100 apoios.
O documento afirma que "a votação elegerá os delegados que participarão do congresso do partido", de modo que "os delegados terão de aderir à lista de um dos candidatos que foram proclamados para ocupar a Presidência, para que os eleitores estejam cientes das candidaturas". Uma vez eleitos, eles se tornarão delegados ao congresso da referida candidatura, diz o documento.
Esse novo sistema busca evitar que se repita o que aconteceu no congresso extraordinário que o PP realizou em julho de 2018 após a moção de censura contra Rajoy, quando a ex-vice-presidente Soraya Sáenz de Santamaría venceu as primárias no primeiro turno com o apoio da militância, mas depois Pablo Casado venceu no segundo turno graças ao voto dos delegados. No entanto, alguns dos consultados duvidam que essa possibilidade seja dissipada com o novo sistema.
MENOS CANDIDATOS COM ESSE NOVO SISTEMA
Fontes do PP acreditam que, com esse novo sistema, haverá menos candidatos à presidência do partido, especialmente quando os requisitos para concorrer forem mais rigorosos, com o número de endossos passando de 100 para 500, e que esses endossos devem vir de "25 províncias diferentes". Além disso, eles concordam que essas exigências têm o objetivo de "controlar o processo" a partir dos "aparatos" territoriais do partido.
"Isso deixa de fora aqueles que não têm peso em nível nacional, porque a pessoa que quer se candidatar tem que ter um certo grau de conivência com os territórios", diz um dos funcionários consultados. "É preciso ter uma boa reputação dentro do partido, porque se você não for ninguém, não conseguirá e é muito difícil", acrescenta outro. "Isso só é útil para candidatos como Feijóo, Ayuso ou Moreno, que são bem conhecidos, mas não para um cargo local ou um membro da base", reiteraram outras fontes.
Os setores do PP consultados esperam que, por meio de emenda, a exigência de apresentar endossos de 25 províncias seja reduzida, porque isso "é metade da Espanha". "É preciso ser um supercampeão para poder concorrer", exclama um historiador do PP.
LISTAS ABERTAS
Além disso, as fontes consultadas expressaram suas dúvidas sobre "o que exatamente" significam as listas abertas mencionadas no texto, embora os relatores - María Guardiola, Fernando López Miras, Dani Sirera e Gemma Igual - tenham explicado que o objetivo é transferir o modelo eleitoral espanhol de 1978 para as primárias, com votação direta e uma única urna.
Outras autoridades estão exigindo esclarecimentos sobre se, no final, com esse novo modelo, o candidato vencedor em uma província ganhará todos os compromisarios, de acordo com o princípio "o vencedor leva tudo" que se aplica nas eleições dos EUA. Não vi isso por escrito", confessa um líder "popular".
Outras fontes acreditam que, no final das contas, não há retorno ao sistema de compromissários que existia no passado, antes de 2017, e que, ao manter a rodada dupla - com uma votação inicial dos afiliados - Genova "baixou as calças" para evitar um confronto com Ayuso. "Voltar ao sistema compromissário seria entrar em um confronto com o PP de Madri", afirmam.
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