Publicado 04/06/2026 14:18

O setor marítimo exige um cessar-fogo efetivo no Estreito de Ormuz antes de retomar suas atividades

Associações de armadores rejeitam categoricamente o pagamento de uma taxa ao Irã para atravessar o estreito

KHASAB, 29 de maio de 2026  -- Esta foto tirada com um celular mostra navios mercantes encalhados nas águas do Estreito de Ormuz, perto de Khasab, uma pequena cidade no norte de Omã, em 29 de maio de 2026.
Europa Press/Contacto/Wen Xinnian

MADRID, 4 jun. (EUROPA PRESS) -

O setor marítimo observa com preocupação o estreito de Ormuz desde que, em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram sua operação militar contra o Irã e Teerã respondeu bloqueando quase totalmente a navegação, ao que se somou um segundo bloqueio naval por parte de Washington. Desde então, apenas alguns navios têm atravessado essa rota marítima de forma esporádica, e as companhias marítimas não têm, por enquanto, muitas esperanças de que a situação mude.

Para que isso ocorra, os Estados Unidos e o Irã deveriam chegar a algum tipo de acordo, o que por enquanto não está acontecendo, e deveria haver um cessar-fogo real, algo que não ocorreu com o acordo firmado no último dia 7 de abril, após o qual continuaram a ocorrer alguns incidentes e ambas as partes trocaram ataques, como os registrados nesta mesma semana.

É assim que entendem os responsáveis de algumas das principais associações de companhias marítimas e armadores que se reuniram esta semana em Madri para discutir a segurança marítima na zona que se estende desde a costa da Somália, passando pelo Mar Vermelho e todo o Golfo Pérsico, até o agora famosíssimo Estreito de Ormuz, juntamente com as missões navais destacadas nesta parte do mundo, com os responsáveis pelas missões da UE “Atalanta” e “Aspides”, bem como com as Forças Marítimas Combinadas (CMF), que reúnem 47 países.

A situação atual em Ormuz “é tão perigosa que apenas alguns armadores foram capazes de assumir o risco”, reconhece Jakob Larsen, chefe de segurança da BIMCO, a maior associação de armadores do mundo, em encontro com a imprensa, ressaltando que “tudo o que ocorre lá é muito imprevisível”.

“Recebemos tantas mensagens contraditórias que é difícil usá-las para planejar”, acrescenta. Na sua opinião, o que a maioria das companhias marítimas está fazendo é olhar a longo prazo, já que não veem que a questão, tendo em conta as reivindicações de ambas as partes, venha a ser resolvida de forma rápida e completa. “Ainda vai demorar algum tempo até que haja algum tipo de movimento”, prevê.

CONFIANÇA NA COALIZÃO DA FRANÇA E DO REINO UNIDO

“Precisamos de um acordo adequado e de uma cessação adequada da violência”, observa, por sua vez, Phillip Belcher, diretor de Marinha da INTERTANKO, uma associação de proprietários de navios-tanque. Assim que isso ocorra, esperam que se concretize a coalizão de voluntários que a França e o Reino Unido estão promovendo para garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz.

Ambos os países, lembra Belcher, já têm navios posicionados na zona, aos quais esperam que outros países se juntem. Isso “garantiria a liberdade de navegação novamente assim que o Estreito de Ormuz for reaberto, assim que houver um verdadeiro cessar-fogo e a violência entre os Estados Unidos e o Irã cesse”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, estão coordenando, juntamente com cerca de vinte outros países, a criação de uma “missão militar defensiva multinacional” que permita garantir a navegação no estreito assim que cessarem as hostilidades.

REJEIÇÃO A QUALQUER PEDÁGIO

Por outro lado, o setor rejeita categoricamente a possibilidade de ter que pagar qualquer tipo de pedágio ao Irã para atravessar o estreito de Ormuz, por onde transitam 20% do petróleo mundial e um terço dos fertilizantes, como vem sendo proposto por Teerã.

“Alguns navios que pagaram essa taxa foram atacados e apreendidos pelos iranianos”, denuncia Belcher, que argumenta que, mesmo que as autoridades em Teerã deem sua aprovação, sempre pode haver um comandante local da Guarda Revolucionária que “não tenha recebido a mensagem” e que tenha um lança-foguetes RPG. “Não é uma rota segura”, insiste.

Por sua vez, o diretor do departamento de Marinha da Câmara Marítima Internacional (ICS), John Stawpert, ressalta que “não há nenhum mecanismo para estabelecer pedágios de qualquer tipo em um estreito internacional” como o de Ormuz. “Seria um afrontamento à liberdade de navegação”, ressalta.

Além disso, chama a atenção para o fato de que “se o pedágio for pago, em muitas jurisdições isso poderia ser considerado como auxílio e cumplicidade a uma organização terrorista”. “Isso violaria as sanções” impostas ao Irã, adverte Stawpert. Além disso, com isso, o seguro que todos os navios contratam para navegar “seria nulo”.

De qualquer forma, enquanto o cessar-fogo chega e se retorna à liberdade de navegação anterior, as companhias marítimas já estão pagando um pedágio. Em primeiro lugar, mais de mil embarcações e cerca de 20.000 marinheiros, segundo estimativas da Organização Marítima Internacional (OMI), estão encalhados há mais de três meses no Golfo Pérsico devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.

A situação deles é desesperadora, como lembra Belcher. “São marinheiros inocentes” que viram os ataques se sucederem e até mesmo “alguns navios explodirem”. “Tudo isso teve um efeito real não apenas em sua saúde mental, mas também física”, já que alguns ficaram feridos, destaca ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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