"Os jornalistas têm a oportunidade de ajudar a divulgar a verdade e ajudar a ciência a prevalecer sobre o negacionismo", diz ele.
VALÈNCIA, 4 out. (EUROPA PRESS) -
O jornalista valenciano Sergi Pitarch publica 'Las horas del caos', onde reconstrói, no formato de uma crônica jornalística, o trágico 29 de outubro de 2024, o dia do dana que devastou grande parte da província de Valência e deixou 229 pessoas mortas.
A obra - publicada em espanhol pela Península e em valenciano '29O Les hores del caos' pela Bromera - revive vinte e quatro horas de um dia histórico com base nos testemunhos de moradores soterrados, equipes de resgate, técnicos de emergência, meteorologistas e autoridades políticas, além das informações judiciais e jornalísticas disponíveis até o momento.
"Foi concebido como uma longa crônica jornalística, no estilo da tradição norte-americana, que narra 24 horas desde as 7h30 do dia 29 de outubro, quando foi declarado o alerta vermelho, até a mesma hora do dia seguinte, quando aqueles de nós que não estavam envolvidos acordaram e viram que havia ocorrido uma catástrofe", explicou o autor à Europa Press.
Pitarch enfatiza que os eventos da ravina têm um potencial literário "muito grande", pois as histórias dos protagonistas não contêm apenas tragédia pessoal, mas também "muitos heróis e heroínas".
Nesse sentido, o livro oferece uma visão em mosaico, reunindo vozes que relembram a emergência de diferentes pontos de vista: guardas civis, cientistas, prefeitos, testemunhas diretas? Da mesma forma, 'Las horas del caos' também pretende ser "uma crônica política e uma crônica da negligência, basicamente, daqueles que estavam no comando, a Generalitat Valenciana", acrescenta.
"A ideia é registrar o que aconteceu e que o leitor possa consultar os fatos e o que o jornalista vê", resume. Nesse ponto, Sergi Pitarch chama a atenção para o papel do jornalismo no esclarecimento total do que aconteceu em 29 de outubro e também para ajudar a garantir que as vítimas não caiam no esquecimento.
"Os jornalistas têm a oportunidade, agora que somos tão questionados por termos estado tão próximos dos poderes constituídos e por haver uma onda de mentiras, de desmentir esses boatos, de ajudar a que a verdade seja conhecida e que a ciência prevaleça sobre o negacionismo", afirma.
Pitarch lembra como, na "maratona" de dias que os jornalistas passaram semanas após as enchentes, grande parte do tempo foi gasta "desmascarando boatos". Portanto, ele insiste, "temos uma oportunidade nessa sociedade de desinformação de fazer nossa parte pela democracia e não viver nesse descrédito".
Na mesma linha, o autor acredita que o fato de que onze meses após a dana "ainda persistem dúvidas sobre questões como o paradeiro do 'presidente' desde o momento em que ele deixa El Ventorro até chegar a Cecopi não tranquiliza as vítimas". "O governo valenciano quer dar uma olhada na reconstrução e isso tem de ser feito, mas há muitas lacunas a serem explicadas", diz Pitarch.
"VERDADE JUDICIAL".
Sobre os processos judiciais em andamento, ele acha que a resolução pode "confortar em parte, mas provavelmente não o suficiente, já que, caso haja penalidades, elas podem não ser muito altas". "Confiar na verdade judicial pode causar frustração e o jornalismo é obrigado a buscar a verdade como uma honra e um serviço" às vítimas, diz ele.
Por fim, ele considera "importante" o fato de que, coincidindo com o primeiro aniversário da enchente, vários livros sobre a dana cheguem às livrarias. "Isso mostra a boa saúde do jornalismo valenciano e demonstra que, em um momento tão traumático, ele esteve à altura da tarefa", comemora.
Sergi Pitarch Sánchez (la Pobla de Vallbona, 1982) é jornalista e diretor da edição valenciana do elDiario.es desde janeiro de 2025. Formado em Jornalismo, trabalhou em meios de comunicação como Las Provincias e Levante-EMV, onde foi responsável por Política e Economia. Entre 2013 e 2017, presidiu a Unió de Periodistes Valencians.
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