LAS PALMAS DE GRAN CANARIA 8 ago. (EUROPA PRESS) -
A SEO/BirdLife solicitou ao governo das Canárias que investigue a libertação de gatos em La Graciosa por ser "ilegal", pois indicam que entre 25 e 28 de julho de 2024 foi realizada uma campanha de captura, esterilização e devolução (CES/CER) que envolveu a libertação de pelo menos 126 gatos no Parque Natural do Arquipélago Chinijo, "sem a necessária" autorização do órgão gestor ou a correspondente avaliação de impacto ambiental.
A organização enfatiza que essa ação "violou a legislação estadual e regional" sobre biodiversidade e bem-estar animal, bem como as diretrizes de gestão da área protegida. Nesse sentido, indicam que, como a ação foi financiada pelo Departamento de Bem-Estar Animal do Cabildo de Lanzarote, a SEO/BirdLife solicitou em março de 2025 a retirada dos gatos de um local incluído na rede Natura 2000.
No entanto, de acordo com a organização ambiental em um comunicado à imprensa, dada a "falta de resposta", eles tiveram que relatar os fatos à Direção Geral de Espaços Naturais e Biodiversidade do Governo das Ilhas Canárias, o órgão ambiental responsável pela gestão das espécies e áreas afetadas pela campanha.
Em sua queixa, a SEO/BirdLife solicita a investigação dos fatos, a determinação de responsabilidades e a adoção "imediata" de medidas de precaução, incluindo a captura e a realocação dos gatos soltos, para "evitar um impacto maior" na biodiversidade de La Graciosa.
O delegado regional da SEO/BirdLife nas Ilhas Canárias, Yarci Acosta, indica que a liberação de gatos em áreas naturais protegidas "é uma prática ilegal que coloca em risco a sobrevivência de espécies únicas". Nesse sentido, ele indicou que La Graciosa "é um tesouro de biodiversidade que não pode ser perdido".
Eles destacam que a presença de gatos selvagens na ilha de La Graciosa "representa uma séria ameaça" para as aves marinhas e outras espécies protegidas, como o petrel de Bulwer (Bulweria bulwerii), que está listado como Criticamente em Perigo.
Nesse sentido, destacam que os relatórios oficiais do Órgão Autônomo de Parques Nacionais indicam que, somente entre 2020 e 2023, os gatos "causaram a morte de pelo menos 130 aves na ilha, com episódios de mortalidade em massa" que afetaram colônias inteiras.
La Graciosa faz parte da Rede Natura 2000 como Área de Proteção Especial para Aves (ZPE) e Área Especial de Conservação (ZEC), além de ser reconhecida como Área Importante para Aves (IBA) e Parque Natural dentro da rede de áreas naturais protegidas das Ilhas Canárias.
A introdução de espécies alóctones, como o gato, é proibida nessas áreas devido ao "risco que representa para a integridade" de seus ecossistemas e para a sobrevivência de espécies prioritárias.
COMPATIBILIDADE ENTRE A POSSE DE GATOS E A PROTEÇÃO DA BIODIVERSIDADE
No Dia Internacional do Gato, e por ocasião da apresentação deste relatório, a SEO/BirdLife relembra algumas ações necessárias para a conservação da biodiversidade, apontando a necessidade da posse responsável de gatos, o que implica que eles vivam em "ambientes controlados, esterilizados (exceto para criadores autorizados) e identificados, evitando seu livre acesso à rua ou ao ambiente natural, onde podem ser expostos ao perigo e causar danos não intencionais" à vida selvagem.
Eles também indicam que as colônias de gatos, especialmente em áreas urbanas e naturais, devem ser gerenciadas com planos municipais que "identifiquem, controlem e reduzam progressivamente" essas populações.
Em pequenas ilhas e áreas naturais de alto valor, recomenda-se limitar a criação de novos gatos e impedir seu acesso ao ar livre, a fim de proteger as espécies da vida selvagem. Em territórios maiores, "é fundamental" garantir a esterilização e evitar a proliferação de colônias descontroladas.
Em todo caso, "colônias de gatos em áreas naturais protegidas em ilhas não são aceitáveis nem recomendadas[LS7]", devido ao "impacto sério e comprovado" que causam.
Por fim, eles indicam que "é essencial" informar e conscientizar o público sobre como cuidar dos gatos sem colocar em risco a biodiversidade, "sempre aplicando medidas de bem-estar e gestão ética, e promovendo a coexistência harmoniosa" entre pessoas, animais e natureza.
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