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Ele acusa Trump de gerar "ansiedade e antagonismo entre amigos e aliados", algo "totalmente desnecessário"
MADRID, 29 maio (EUROPA PRESS) -
O senador democrata pelo estado do Arizona, Rubén Gallego, afirmou nesta sexta-feira que uma renúncia por parte dos Estados Unidos às bases que o país possui em território espanhol seria uma decisão “estúpida” por parte do presidente, Donald Trump, e defendeu que se “aceitem as diferenças” existentes entre os diversos aliados.
Em um encontro com a imprensa na sede do Real Instituto Elcano, o político norte-americano, de ascendência mexicana e colombiana, destacou o absurdo de uma medida desse tipo, já que os Estados Unidos “nunca as recuperariam”. “Acredito que seja simplesmente uma ameaça”, afirmou em relação às palavras do chefe da Casa Branca, que expressou em várias ocasiões sua frustração com a Espanha pela falta de apoio para levar adiante sua ofensiva contra o Irã.
Nesse contexto, ele defendeu o papel do Senado na fiscalização da política externa americana. “Obviamente, vamos ficar de olho nisso. Mesmo neste momento, estamos vendo alguns movimentos na Europa, mas muitos deles ocorreram dentro dos limites que estabelecemos (no Congresso)”, afirmou em relação à retirada de tropas americanas em plena revisão do destacamento na Europa, à medida que aumentam as tensões políticas.
Gallego garantiu que o presidente “sabe muito bem que não pode violar as normas e ordens aprovadas no Congresso”, por isso descarta que a ameaça venha a se concretizar totalmente. “Acho que o presidente está sendo temperamental, e que as consequências são reais. O fato de, mais uma vez, estarmos gerando mais ansiedade e antagonismo entre amigos e aliados é totalmente desnecessário”, lamentou.
Embora tenha defendido a importância de que “os aliados e amigos sejam capazes de discordar”, ele admitiu que, no caso da Espanha, existe um “elefante na sala”. “Obviamente, esse elefante neste momento é a guerra no Irã”, assinalou, antes de insistir que, no caso da OTAN, “trata-se de um pacto de defesa” e “não de um pacto suicida”. “A Espanha tem o direito de se preocupar com seus próprios interesses”, acrescentou.
“Em outras questões, poderemos ver que estamos de acordo: em matéria de segurança ou em questões relacionadas à Ucrânia”, esclareceu, ao mesmo tempo em que alertou que a relação transatlântica está passando por uma situação “estranha” sob o governo Trump, que criticou o governo espanhol em várias ocasiões por sua recusa em investir 5% do PIB em defesa.
Assim, ele esclareceu que a relação entre as partes tem sido um “fator de estabilidade não apenas para a Europa”, mas “para o mundo inteiro”. “Não creio que o presidente realmente aprecie isso, mas creio que a população norte-americana sim. Certamente, o Senado leva isso em conta”, acrescentou.
GASTOS DESTINADOS À DEFESA
Sobre o aumento dos gastos com defesa, Gallego destacou que “o que realmente importa é ver quais capacidades os aliados podem suprir com seus respectivos gastos”. “É nisso que nossos parceiros devem se concentrar se não vão contribuir com 5%”, afirmou, em alusão à posição do presidente do Governo, Pedro Sánchez, de que a Espanha pode cumprir os compromissos militares com a Aliança dedicando apenas 2,1%.
“Estou especialmente focado nas questões de contenção em relação à Rússia, para impedir que ela avance mais para o interior da Europa, e se a Espanha for capaz de contribuir nesse sentido, haverá uma grande diferença”, acrescentou, não sem antes sublinhar que a relação entre os dois países é “profunda” e “precede e sobreviverá a Donald Trump”.
“Se olharmos para nossas relações comerciais, elas são muito lucrativas para ambos os países e para nossos povos em um momento de grande instabilidade econômica. Não acredito que (Trump) queira gerar conflitos nesse sentido; acho que ele tem muito poucas oportunidades de tomar medidas drásticas, exceto pelas típicas declarações retóricas”, argumentou.
O senador lembrou ainda que os laços entre os Estados Unidos e a Espanha remontam à revolução. “Ele está conosco desde então. Falamos de 250 anos de independência, mas, na verdade, são 250 anos de uma grande relação e não podemos deixar que uma única pessoa a destrua”, destacou.
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