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MADRID 20 ago. (EUROPA PRESS) -
O senador colombiano Iván Cepeda, reconhecido como vítima no processo judicial contra o ex-presidente do país, Álvaro Uribe, expressou seu desacordo com o Tribunal Superior de Bogotá, que na terça-feira ordenou a libertação imediata do político conservador, condenado a doze anos de prisão domiciliar, e apontou para a "pressão" de Uribe sobre o judiciário.
"As vítimas desse processo sempre respeitaram e cumpriram as decisões judiciais. É claro que respeitamos esta, mas não a compartilhamos", disse ele do Congresso, antes de garantir que tomará "medidas (...), mas com toda a calma e serenidade respeitaremos essa decisão".
Além disso, ele declarou que tem "plena certeza de que o ex-presidente condenado Álvaro Uribe vem realizando inúmeras ações para pressionar o sistema judiciário e campanhas contra nós". Nesse sentido, ele lamentou a suspensão de sua prisão domiciliar, considerando que foi uma medida "para nos proteger desse tipo de ação".
No entanto, ele lembrou que a decisão do tribunal, que revogou a pena de prisão imposta ao ex-presidente "até" que se pronuncie sobre o recurso apresentado contra a sentença de primeira instância, "não significa que o ex-presidente Uribe seja inocente, nem que as acusações tenham sido retiradas". "O processo continua e os direitos das vítimas e a independência da justiça devem ser garantidos", acrescentou.
O Tribunal Superior de Justiça de Bogotá justificou sua decisão por considerar que prevaleceu a presunção de inocência dos acusados e questionou as motivações da magistrada Sandra Heredia ao impor a prisão domiciliar, descrevendo esses critérios como "vagos, indeterminados e imprecisos, como a percepção pública, o efeito exemplar, a convivência pacífica e a ordem social, que são equivocados porque a natureza da conduta alegada, aparentemente, afetou indivíduos específicos, não o conglomerado social em abstrato".
Além da prisão domiciliar, agora revogada, o ex-presidente foi condenado a uma inabilitação por mais de oito anos e a pagar uma multa de mais de 3.444 milhões de pesos, equivalente a 2.420 salários mínimos (cerca de 720.700 euros).
O juiz considera que o ex-presidente de 73 anos, que sempre negou os fatos, alegando ser vítima de perseguição política, instigou emissários a manipular testemunhas nas prisões do país para se beneficiar de seus depoimentos. De acordo com a investigação, o advogado Diego Cadena teria tentado oferecer benefícios a vários ex-paramilitares para que mudassem sua versão sobre os supostos vínculos entre o ex-presidente e seu irmão, Santiago Uribe, e o paramilitarismo.
O caso começou em 2012, quando Uribe denunciou o senador Iván Cepeda, alegando que ele havia viajado pelas prisões do país para apresentar falsos testemunhos contra ele sobre o aumento do paramilitarismo na região de Antioquia.
No entanto, após a apresentação de provas, várias versões indicaram que os advogados do ex-presidente tentaram manipular as testemunhas para apontar o dedo para Cepeda, e Cepeda passou de acusado a vítima, em contraste com Uribe, o autor da denúncia, que passou a ser investigado.
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