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Dois senadores republicanos que votaram a favor da resolução mudaram de posição após pressões da Casa Branca MADRID 15 jan. (EUROPA PRESS) -
O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quarta-feira uma resolução de poderes de guerra que teria impedido o inquilino da Casa Branca, Donald Trump, de ordenar o uso da força militar “na ou contra” a Venezuela, uma vitória para o governo do magnata nova-iorquino que se deu graças à mudança de posição de dois republicanos que haviam votado anteriormente a favor do avanço do texto na Câmara Alta, resultando em pressões de Washington.
Os senadores Josh Hawley (Missouri) e Todd Young (Indiana) faziam parte de um grupo de cinco republicanos — completado por Rand Paul, Lisa Murkowski e Susan Collins — que na quinta-feira passada formaram parte de uma maioria de 52 legisladores que facilitaram que a resolução que teria bloqueado a capacidade de Trump de agir militarmente dentro ou contra a Venezuela avançasse para votação em plenário.
Depois disso, o presidente norte-americano afirmou nas redes sociais que “eles nunca deveriam ser reeleitos” e classificou seus votos como “estupidez”, uma mensagem que foi seguida por ligações para os legisladores em questão, segundo informaram vários meios de comunicação norte-americanos.
Menos de uma semana depois, Hawley e Young voltaram a se alinhar com a maioria da bancada republicana e votaram a favor da objeção apresentada pelo senador de seu partido por Idaho e presidente do Comitê de Relações Exteriores, Jim Risch, que afirmou que a resolução "tenta impedir algo que não está acontecendo", alegando que não há forças americanas combatendo na Venezuela, já que a incursão para capturar o presidente desse país, Nicolás Maduro, foi "de alcance limitado" e "de curta duração", de acordo com declarações coletadas pelo portal de notícias The Hill.
Após a mudança de posição dos dois senadores republicanos em questão, a votação sobre a rejeição da resolução terminou em empate técnico, com 50 senadores a favor e 50 contra, uma situação decidida pelo voto favorável do vice-presidente do país, JD Vance.
Young, por sua vez, justificou a mudança de sentido do seu voto através de várias publicações nas redes sociais, nas quais indicou que, embora seja “profundamente cético quanto ao envio de tropas americanas para estabilizar a Venezuela” e acredite “firmemente que qualquer compromisso das forças americanas na Venezuela deve ser objeto de debate e autorização no Congresso”, recebeu “garantias de que não há tropas americanas” no país caribenho.
“Também recebi o compromisso de que, se o presidente Trump determinar que são necessárias forças americanas em operações militares importantes na Venezuela, o governo recorrerá ao Congresso com antecedência para solicitar autorização para o uso da força”, acrescentou, antes de se mostrar satisfeito pelo fato de o secretário de Estado, Marco Rubio, “ter aceitado comparecer perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado para oferecer uma atualização sobre a Venezuela”.
Entre os três republicanos restantes que se mantiveram favoráveis a bloquear os poderes de guerra de Trump na Venezuela, Rand Paul afirmou ter conversado com o próprio presidente sobre sua posição em uma conversa na qual teria comunicado que o debate “supera” ambos, pois “trata-se da Constituição”.
Quem também se manifestou a respeito, dentro desse grupo, foi Lisa Murkowski, que afirmou nas redes sociais que, apesar do argumento de Risch e, no último momento, de Young, sobre a ausência de efetivos militares na Venezuela, “as forças e os ativos americanos permanecem totalmente destacados na região”.
“A resolução (...) não prejudica os resultados das políticas nem diminui a capacidade do presidente de responder a um ataque contra os Estados Unidos ou nossas Forças Armadas. Em vez disso, reafirma a responsabilidade do Congresso, de acordo com o Artigo I, de autorizar hostilidades e garante que decisões dessa magnitude recebam o debate e a supervisão adequados”, afirmou a legisladora eleita pelo Alasca, que se tornou uma das principais dissidentes do bloco republicano contra algumas das campanhas mais destacadas de Trump na política externa, como sua tentativa de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos.
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