Europa Press/Contacto/Luis Barron
MADRID, 26 mar. (EUROPA PRESS) -
O Senado do México aprovou nesta quinta-feira o “plano B” da reforma política da presidente Claudia Sheinbaum, embora tenha deixado de fora a ideia de fazer coincidir a revogação do mandato com as eleições de 2027, depois que o Partido do Trabalho (PT), o menor parceiro da coalizão, tenha impedido a medida.
Após mais de seis horas de debate, o texto obteve 87 votos a favor e 41 contra, uma vez que o PT conseguiu impedir a inclusão da alteração do Artigo 35 da Constituição, mantendo assim a revogação do mandato em 2028, em meio à alegria das bancadas da oposição.
O PT alegou que, embora apoie o projeto de austeridade e de reforço da participação cidadã da presidente Sheinbaum, também defende a democracia e alertou que, ao realizar simultaneamente as eleições federais e locais de 2027 com o referendo revogatório, “corre-se o risco de distorcer seu sentido”.
Cada um desses processos eleitorais “tem propósitos distintos com uma lógica democrática própria”, destacou a senadora do PT Lizeth Sánchez. “Não se trata de enfraquecer a participação cidadã, trata-se de protegê-la (...) diante de pressões externas ou tensões internas” que pretendam distorcê-la, afirmou.
O texto segue agora para a Câmara dos Deputados com apenas três temas relacionados a medidas de austeridade: a redução dos gastos nos congressos locais e no Senado, bem como do número de vereadores e o reajuste salarial para altos funcionários eleitorais, a fim de evitar que recebam mais do que o chefe do Estado.
Esse “plano B” surge depois que a reforma original não obteve o aval da Câmara dos Deputados. O objetivo era principalmente reduzir os gastos no sistema eleitoral e no financiamento dos partidos, além de reconfigurar a representação proporcional no Congresso.
No entanto, Sheinbaum comemorou a aprovação de parte dos privilégios, entre eles as conhecidas como “pensões de ouro” para ex-altos cargos de empresas estatais, como a petrolífera Pemex ou a elétrica CFE.
Não foi o caso, porém, do que diz respeito à reforma do Artigo 35 da Constituição para antecipar o referendo revogatório. “Acho que é ruim para o país que isso não tenha sido aprovado. Mas tudo bem, foi assim que decidiram”, disse a presidente durante sua coletiva de imprensa matinal desta quinta-feira.
“Não é que a presidente queira necessariamente o referendo revogatório em 2027, mas sim abrir a possibilidade de que o referendo revogatório do presidente ou da presidente não ocorra necessariamente no quarto ano, mas também no terceiro, e não seja obrigatório, tendo de ser solicitado com assinaturas”, explicou.
Nesse sentido, ela considerou que a recusa se deve ao “temor” de que a figura do chefe de Estado possa influenciar os eleitores, embora tenha descartado que isso pudesse ser motivo suficiente para influenciar o voto em um sentido ou outro.
“Os partidos temiam que, se a presidente figurasse na cédula eleitoral sem fazer campanha por um partido político ou por outro, alguns pudessem obter mais votos (...) na verdade, eles não têm razão, porque uma coisa é a destituição e outra coisa é a votação constitucional”, afirmou.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático