Publicado 24/09/2025 23:36

O Senado do Brasil rejeita como inconstitucional a emenda que protegeria deputados e senadores.

21 de setembro de 2025, São Paulo, São Paulo, Brasil: Sao Paulo (SP), 21/09/2025 - PEC da Blindagem/anistia/demonstrações/Sao Paulo - política - Manifestantes reunidos próximo ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista, no centro da cidade,
Europa Press/Contacto/Harnebach, Tomze Fonseca

Lula comemora o resultado de um projeto que "era uma vergonha nacional".

MADRID, 25 set. (EUROPA PRESS) -

O Senado brasileiro arquivou na quarta-feira a chamada PEC da Blindaje, a proposta de emenda à Constituição, aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada, que ampliaria a imunidade de deputados e senadores e os protegeria de possíveis processos no Supremo Tribunal Federal, incluindo também os presidentes de partidos políticos, mesmo que não sejam titulares de mandato.

O arquivamento, anunciado pelo presidente da câmara alta, Davi Alcolumbre, ocorreu depois que o comitê de justiça da câmara declarou a proposta inconstitucional, com o voto unânime de seus membros.

A PEC do Blindaje tem sido um dos pontos focais das manifestações em que dezenas de milhares de brasileiros foram às ruas neste domingo em protesto tanto contra esse projeto quanto contra a possível anistia, também avançada pela câmara baixa, para os condenados pelo golpe de Estado de 2022 - o que potencialmente incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro. O próprio Alcolumbre reconheceu que o tema "mobilizou a sociedade brasileira", embora tenha argumentado que "acima de tudo, o parlamento".

Por sua vez, o relator da comissão de justiça do Senado, Alessandro Vieira, observou em sua decisão sobre a proposta que, embora "seja apresentada como um instrumento de defesa do Parlamento, é, na realidade, um golpe fatal em sua legitimidade, pois abre as portas para a transformação do Legislativo em um refúgio de criminosos". "Essa PEC abre definitivamente as portas do Congresso Nacional para o crime organizado", afirmou, rejeitando em qualquer hipótese que o objetivo real da norma seja o interesse público ou "a proteção da atividade parlamentar".

"Ela visaria, na verdade, proteger os autores de crimes graves, como corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado, o que é um claro abuso de sua finalidade e, consequentemente, inconstitucional", afirmou.

O presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva descreveu a apresentação da PEC do Blindaje como "previsível". Lula, que era totalmente contrário à proposta, lamentou o que descreveu como um "erro histórico" e uma "vergonha nacional".

"O que eu considero um erro histórico foi colocar essa PEC em votação. Foi desnecessário, provocativo e enviou um sinal muito ruim para a sociedade brasileira", disse ele a repórteres de Nova York, onde está participando da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas. "Essa PEC teve o destino que merece: desaparecer, porque foi uma vergonha nacional", acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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