Publicado 02/07/2026 03:19

O Senado da Bolívia cria uma comissão para investigar as “supostas influências” de Zapatero no país

Archivo - Arquivo - O ex-presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero participa do evento “Los Desayunos del Ateneo”, no Ateneo de Madri, em 3 de novembro de 2025, em Madri (Espanha).
Alberto Ortega - Europa Press - Arquivo

MADRID 2 jul. (EUROPA PRESS) -

O Senado da Bolívia aprovou a criação de uma comissão especial de investigação encarregada de “investigar as supostas tentativas de influência exercidas” no país pelo ex-presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero “e por outros atores nacionais ou estrangeiros”.

A Câmara pretende investigar a suposta influência exercida pelo ex-líder espanhol na Bolívia para, supostamente, favorecer a empresa peruana Grupo Gloria, em troca de 200.000 euros entre 2024 e 2025, como “contraprestação econômica” do conglomerado para intermediar junto ao governo boliviano em processos judiciais que a empresa tinha em andamento no país.

Conforme informado em um comunicado, a comissão será composta por seis senadoras e senadores, com representação das diferentes forças políticas do Senado. “Cada bancada deverá indicar seus representantes para a composição definitiva dessa instância, que terá um prazo de até três meses para conduzir a investigação e apresentar um relatório final ao plenário da Câmara”, detalhou.

A Aliança Livre, principal partido da oposição na Bolívia, solicitou a criação de uma comissão no Senado para investigar Zapatero e “solicitar, por meio do Ministério das Relações Exteriores, toda a documentação das investigações — que foram realizadas — na Espanha”, conforme anunciou na semana passada a líder da formação na Câmara Alta, Tomasa Yarhui.

“Para nós, esse tema é de vital importância para que se possa investigar e punir. Estamos afirmando que, primeiro, os fatos devem ser investigados antes de se estabelecer a justificativa dos crimes”, acrescentou ela, em declarações publicadas pelo jornal boliviano ‘El Deber’.

O EX-PRESIDENTE LUIS ARCE NEGOU

O ex-presidente da Bolívia, Luis Arce, afirmou que não tratou com José Luis Rodríguez Zapatero de “nenhum litígio judicial” com a empresa peruana Grupo Gloria, após o relatório da Polícia espanhola que aponta que o ex-líder socialista recebeu 200.000 euros entre 2024 e 2025 como “contraprestação econômica” do conglomerado para atuar como mediador em processos judiciais que ele tinha em andamento naquele país.

Em um comunicado, Arce, que está em prisão preventiva desde dezembro por desvio de fundos durante seu mandato como ministro da Economia, negou ainda estar envolvido em “qualquer tráfico de influências que tenha favorecido” a Sociedad Boliviana de Cementos (SOBOCE), a empresa do Grupo Gloria com sede na Bolívia, nem em qualquer “outra empresa privada”.

Além disso, ele ressaltou que sua relação com o ex-presidente espanhol se limita ao âmbito institucional e político. Segundo explicou, “as últimas conversas” que manteve com Zapatero ocorreram no âmbito “dos esforços realizados por membros do Grupo de Puebla para mediar a crise interna” pela qual passava o Movimento ao Socialismo (MAS) nas eleições de 2025.

O relatório da Unidade de Crimes Econômicos e Fiscais (UDEF) especifica que o suposto pagamento a Zapatero foi justificado por “um contrato simulado com uma empresa de fachada”, chamada Focus Social Research, pela “prestação de serviços de consultoria” e indicam que o ex-líder socialista tomou medidas para conseguir uma reunião entre os dirigentes do Grupo Gloria e as autoridades bolivianas.

Os investigadores enfatizam que o processo judicial em questão era contra uma empresa desse grupo peruano na Bolívia, a Sociedad Boliviana de Cementos (SOBOCE), por concorrência desleal, na sequência de uma ação movida pela Fábrica Nacional de Cementos (FANCESA). O Grupo Gloria é um conglomerado de empresas com sede em Lima, capital do Peru, e com investimentos em vários países da América do Sul em diversos setores, como alimentos, cimento, agroindústria, papel e papelão e transportes.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado