Publicado 19/01/2026 08:09

Seguro afasta-se do Partido Socialista para a segunda volta e Ventura assume-se como líder da direita

16 de janeiro de 2026, Porto, Portugal: O candidato presidencial José Seguro, visto durante um comício no Porto. André Ventura deverá enfrentar António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais.
Europa Press/Contacto/Diogo Baptista

As forças à esquerda do Partido Socialista pedem votos para Seguro no segundo turno Seguro garante um pacto de não agressão com liberais e conservadores em busca do voto do seu eleitorado MADRID 19 jan. (EUROPA PRESS) -

O vencedor do primeiro turno das eleições presidenciais de Portugal, o socialista António José Seguro, quis deixar claro após o dia de domingo que a sua candidatura é “independente”, na qual cabem “todos os democratas, progressistas e humanistas”, em oposição à do líder do Chega, André Ventura, que optou por destacar o revés eleitoral de outras forças conservadoras.

“Esta não é uma candidatura partidária e nunca será”, afirmou Seguro durante a noite eleitoral, na qual, como previsto, a sua foi a mais votada, com mais de 31% dos votos, à frente do líder da extrema direita portuguesa, que obteve 23,5% dos votos.

Seguro dedicou o discurso após o dia eleitoral a insistir no caráter apartidário de sua candidatura. “Sou livre, vivo sem amarras e assim agirei como presidente da República”, disse ele neste domingo à noite diante de seus partidários na localidade de Caldas da Rainha, no oeste de Portugal.

“Voltei para unir os portugueses”, sublinhou Seguro após regressar à primeira linha política depois de perder as primárias de 2014 para António Costa, que mais tarde se tornaria primeiro-ministro e presidente do Conselho Europeu.

Nesse sentido, prometeu que será o presidente de todos, alguém que “nunca” colocará uma parte do país contra a outra. “Não há portugueses bons, nem maus, nem de primeira nem de segunda. Somos todos Portugal”, disse, numa crítica mais do que provável à retórica divisiva de Ventura. O socialista estende assim a mão aos liberais e conservadores de cara ao segundo turno de 8 de fevereiro, para o qual já conta com o apoio das forças à esquerda do Partido Socialista, tal como seus líderes vieram manifestar após o conhecimento dos resultados.

VENTURA REIVINDICA LIDERANÇA DO “ESPAÇO NÃO SOCIALISTA” Por sua vez, Ventura centrou a sua intervenção da noite passada em destacar que, apesar da fragmentação da direita, os portugueses depositaram nele as esperanças de “liderar o espaço não socialista”.

“Num momento de tanta fragmentação, conseguimos demonstrar que fomos capazes de derrotar o candidato do Governo”, comemorou, em alusão a Luís Marques Mendes, quinto nas urnas com uns escassos 11%. No que diz respeito aos restantes candidatos com possibilidades de passar à segunda volta, o liberal João Cotrim de Figueiredo ficou com 16% dos votos. Depois de assumir sua “derrota pessoal”, ele atacou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerando que ele subordinou os interesses do país aos de seu partido, o Partido Social Democrata (PSD), com a candidatura de Mendes. Agora serão os portugueses que terão que decidir no segundo turno entre “opções péssimas”, avaliou Cotrim de Figueiredo. “É provável que tenhamos um presidente da República do Partido Socialista. Isso se deve exclusivamente a um erro estratégico da direção do PSD”, afirmou. Embora alguns líderes da Iniciativa Liberal tenham adiantado que votarão em Seguro, o candidato preferiu, por enquanto, não se pronunciar sobre o assunto. Na mesma linha se expressaram os outros dois candidatos conservadores, Marques Mendes e o almirante da reserva Henrique Gouveia e Melo, que obteve 12,1% dos votos.

Marques Mendes, grande derrotado das eleições, nem esperou o encerramento dos resultados para assumir toda a responsabilidade pelo fracasso eleitoral e descarregar qualquer tipo de culpa no PSD, que não passa pelo seu melhor momento desde que venceu as eleições de 2024, em meio a uma grave crise habitacional e problemas na saúde pública.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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